Um desconfinamento inteligente

Os números divulgados diariamente pela Direção-Geral da Saúde, que dão conta, há mais de um mês, da trajetória descendente do número de novas infeções, de casos ativos, de internamentos e de vítimas mortais, trazem-me esperança.
Os dados sobre a evolução da atividade económica divulgados pelo INE nas últimas semanas, os títulos e conteúdo dos respetivos destaques, trazem-me angústia.

Cito apenas alguns títulos:
-"Atividade económica acentua redução em janeiro refletindo o agravamento das limitações à mobilidade no contexto pandémico";
-"Indicador de clima económico intensifica redução"
- "Produção Industrial registou uma variação homóloga de 6,5%".

É entre esta esperança e esta angústia que vou refletindo sobre a necessidade de, desde já, planear e preparar o que designo por um desconfinamento inteligente.
Sei bem da necessidade de sermos prudentes no levantamento das restrições à atividade e à circulação. Não podemos oscilar entre extremo rigor e laxismo, para não oscilar entre sucesso e desastre. Não podemos dar sinais errados aos cidadãos.
Sei bem que, para impedir contactos de risco e evitar contágios, são necessárias medidas que, inevitavelmente, prejudicam, direta ou indiretamente, a atividade económica.

Sei também que a prioridade está na proteção da saúde pública, que temos de salvar vidas.

Mas, como tenho dito, além de salvar vidas, vamos ter que continuara a alimentar essas vidas. E isso pressupõe preservar a atividade económica do colapso.
Por isso, é urgente encontrar formas de, gradualmente, seletivamente (tanto em termos regionais como de tipologias), com regras, sob critérios coerentes e fundamentados, articuladamente com uma estratégia de testagem mais massiva, dar sinal de alguma libertação.

Temos já experiência acumulada, uma curva de aprendizagem da qual se podem e deve retirar ilações práticas.

Como já aqui afirmei, não é nos locais de trabalho que estão os focos de infeção. Por isso, da mesma maneira que já se prevê o levantamento gradual das restrições à atividade letiva, até um determinado nível de escolaridade, deveria ponderar-se, também desde já, a abertura de determinas tipologias da restauração, comércio e serviços, com regras (que as empresas, aliás, se habituaram a cumprir), e com uma massificação de testes.

Gostaria de ver, na próxima semana, uma programação de etapas que tivesse em conta esta necessidade imperiosa de conciliar, de forma inteligente, proteção da saúde e preservação da atividade económica: um desconfinamento inteligente, como gosto de o designar.

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