Opinião

Um Novo Contrato de Confiança

A Alfândega do Porto é a nova morada da feira Capital do Móvel Fotografia:  Pedro Granadeiro / Global Imagens
A Alfândega do Porto é a nova morada da feira Capital do Móvel Fotografia: Pedro Granadeiro / Global Imagens

A edição 2019 do TEDx Porto, que uma vez mais teve um grande sucesso, teve como mote a palavra CONFIANÇA. Precisamos como Sociedade de Renovar o nosso Contrato de Confiança – um desafio que passa em grande medida pela efetiva responsabilidade nesse processo dos diferentes actores envolvidos – Estado, Empresas, Universidades e Cidadãos.

Conforme muito bem referido pelo reputado economista Dan Ariely, um dos oradores de referência presentes, “a Confiança é um processo em permanente construção e é a base sustentável de uma sociedade que acredita no futuro”. Foi esse a grande mensagem de um encontro entre gerações, tendências e culturas, muito focado na necessidade de um Novo Contrato de Confiança.

O especialista português João Monteiro tem toda a razão. Precisamos de um Novo Espaço Público em Portugal. A sociedade portuguesa encontra-se bloqueada e impõe-se um sentido de urgência na emancipação cívica do país. Por isso, em tempo de incerteza, o Novo Espaço Público terá que ser capaz de responder de forma positiva às expectativas de uma Sociedade Civil ansiosa por respostas concretas aos desafios do futuro. Trata-se duma Nova Ambição, em que a aposta na participação e a valorização das competências, numa lógica colaborativa, têm que ser as chaves da diferença.

O Novo Espaço Público deverá ser capaz de apresentar novas soluções de inclusão social. Um país moderno tem que saber integrar de forma positiva os seus cidadãos. A coesão social faz-se pela participação construtiva e tem que haver uma atitude clara de mobilização para esse esforço nacional de convergência de atuação. A educação na escola tem que forçar a pedagogia e a prática da integração dos desfavorecidos, imigrantes, todos aqueles com défices operativos de participação; têm que ser dinamizadas “ações de demonstração” do apoio à vontade do contributo de todos. Um Programa para a Inclusão Social tem que saber “integrar de facto”.

O Novo Espaço Público deverá ser capaz de projetar novas ideias de competitividade na área económica e financeira, conforme defendeu a especialista Emília Vieira. Está mais do que consolidada a mensagem da urgência da dimensão da confiança no sistema financeiro para apoiar a economia e sociedade seja ao nível da concepção de ideias novas de serviços e produtos, ao nível da operacionalização de centros modernos rentáveis de produção, seja sobretudo ao nível da construção e participação ativa em redes internacionais de comercialização e transação de produtos e serviços com efeito de criação de valor.

O Novo Espaço Público deverá consolidar novas perspetivas para as cidades. Portugal tem uma oportunidade única de potenciar um novo paradigma de cidades médias, voltadas para a qualidade, a criatividade, a sustentabilidade ecológica. Verdadeiros centros de modernidade participativa, que façam esquecer a dinâmica asfixiante das “âncoras comerciais” que são os modernos shoppings que dominam o país. A Confiança nas Cidades é vital para dar conteúdo estratégico a uma integração moderna e participada das pessoas nas suas relações e no desenvolvimento das suas atividades.

Num tempo complexo, em que a nova ordem europeia está a ter implicações em termos de um novo Contrato Social entre o Estado e a Sociedade Civil, numa lógica de competitividade aberta, as pessoas perguntam-se se cabe de facto ao Estado o papel de intervenção activa no combate à crise ou se pelo contrário não caberá à Sociedade Civil a tarefa de reinvenção de um novo modelo de criação coletiva de valor centrado na participação e criatividade individual. Num mundo de incertezas, em última instância, será que há de facto respostas para as perguntas que cada vez mais preocupam os portugueses? Também aqui o TedX Porto deste ano foi um importante espaço de partilha e discussão.

O ano de 2019 está a ser particularmente relevante para Portugal. Está em cima da mesa, no contexto da consolidação do processo de integração europeia, a capacidade de o nosso país conseguir efectivamente apresentar um Modelo de Desenvolvimento Estratégico sustentado para o futuro. Em tempo de crise, os recentes acontecimentos à volta da agudização da crise, vieram uma vez mais demonstrar que existe no nosso país uma “minoria silenciosa” que de há anos a esta parte mantém o status quo do sistema paralisado e a pretexto de falsas dinâmicas de renovação social e reconversão económica tenta reencontrar o caminho do futuro com as mesmas soluções do passado impensáveis num contexto de mudança como aquele que vivemos.

A mensagem de mudança é mais do que nunca actual entre nós. O Novo Contrato de Confiança que se quer legitimar em Portugal terá que ser capaz de ganhar estatuto de verdadeiro “operador estratégico” do desenvolvimento do país. Isso faz-se com “convergência positiva” e não por decreto. Importa por isso, mais do que nunca, estar atento e participar com o sentido da diferença. O “laboratório” que Portugal deve constituir nesta área faz-se através do contributo de ações da sociedade civil que ajudam as pessoas a perceber melhor os novos desafios do futuro. O TedX Porto é um desses exemplos e está de parabéns pela mensagem que soube passar.

Francisco Jaime Quesado, Economista e Gestor – Especialista em Inovação e Competitividade

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