Opinião: António Saraiva

Um novo fôlego para o programa Indústria 4.0

Fotografia: Rui Miguel Pedrosa/Global Imagens
Fotografia: Rui Miguel Pedrosa/Global Imagens

De facto, é preciso construir sobre o que já está no terreno, evitando a duplicação de esforços e a proliferação de medidas sobrepostas.

Generalizar, capacitar, assimilar, são as grandes linhas estratégicas da segunda fase do programa Indústria 4.0, lançada em Guimarães na terça-feira.

Depois de, numa primeira fase, ter atraído sobretudo empresas líderes ou que já executam algum nível de experimentação nas tecnologias digitais, importa que tenha agora um impacto verdadeiramente transformador. Pelo diagnóstico realizado, serão ainda 75% do total as empresas com baixa ou muito baixa maturidade digital. Empresas a que o programa pretende fazer chegar uma oferta completa de suporte à digitalização que dê resposta às falhas de mercado existentes.

Do meu ponto de vista, esta é uma peça importante numa política industrial que acelere o ressurgimento do protagonismo da indústria e do seu peso na economia, não numa lógica de retorno ao passado mas através da renovação de um tecido empresarial capaz de enfrentar novos desafios. Entre eles está, naturalmente, a participação das empresas portuguesas (industriais, mas não só) no processo de transformação digital, sob pena de serem ultrapassadas pelos concorrentes.

Nesta segunda fase do Indústria 4.0, sublinharia a prioridade que deve ser concedida à promoção da qualificação e requalificação dos recursos humanos, em linha, aliás, com o estudo “Automação e futuro do emprego em Portugal”, promovido pela CIP, cujas conclusões apontam para a necessidade de um exigente processo de reconversão da força de trabalho e da sua permanente adequação às necessidades das empresas.

Neste como nos restantes domínios do Indústria 4.0, a abordagem definida é a de partir do levantamento exaustivo dos programas existentes como base para identificar melhorias a introduzir, bem como para o desenho e a implementação de iniciativas adicionais.

De facto, é preciso construir sobre o que já está no terreno, evitando a duplicação de esforços e a proliferação de medidas sobrepostas. Do mesmo modo, espero que nesta nova fase as associações empresariais sejam envolvidas mais intensamente, bem como os centros de formação existentes, que deverão ser dotados dos meios necessários para que desenvolvam todo o seu potencial também nesta área da transformação digital, permitindo que inovem e disponibilizem programas de formação de ativos que respondam às necessidades das empresas.

A maior ambição que é agora colocada na abrangência a novas empresas e na formação de um maior número de trabalhadores exige o concurso das estruturas que estão mais perto da realidade empresarial, para que seja alcançado o objetivo de um novo ímpeto de colaboração entre empresas e entidades formadoras. A este respeito, um sinal animador foi o anúncio dos avisos de programas de formação-ação, envolvendo associações empresariais e IAPMEI, como primeira medida concretizada.

Lançada que está a segunda fase do Indústria 4.0, importa agora que as iniciativas aceleradoras que o integram evoluam rapidamente para se tornarem verdadeiros programas de ação que cheguem às empresas. Foi esse o repto deixado pelo ministro da Economia, é esse também o meu desejo.

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