Opinião: Rosália Amorim

Um país sem combustível

Fotografia: Rui Minderico/Lusa
Fotografia: Rui Minderico/Lusa

O que fica em causa não é a ação destes homens, braços de trabalho, mas sim a fragilidade de um país que, em poucos dias de greve, mergulhou no caos.

Os combustíveis tornaram-se (ainda mais) reis e senhores do país nos últimos dias. A ausência da distribuição de combustíveis fósseis pôs a nu a forte dependência da economia nacional deste tipo de fonte energética e a estranha dependência nacional da vontade dos camionistas de matérias perigosas.

As reivindicações destes profissionais são legítimas: melhores salários, mais apoios na saúde e segurança social e o reconhecimento oficial da categoria de motoristas de matérias perigosas. O que fica em causa não é a ação destes homens, braços de trabalho, mas sim a fragilidade de um país que, em poucos dias de greve, mergulhou no caos, com vários setores económicos paralisados ou perto disso.

A agravar a situação, esteve o egoísmo de alguns portugueses que açambarcaram combustíveis como se não houvesse amanhã. Face ao sucedido, o governo deveria ter atuado desde logo, impondo limites de abastecimento por pessoa, como veio a fazer na quarta-feira limitando a 15 litros por viatura, nos 310 postos considerados prioritários – já em momento de desespero e vendo nas televisões as filas e filas de vários quilómetros nas bombas de gasolina de todo o país.

O pré-aviso de greve foi entregue a 1 de abril e não era mentira. O papel esteve em cima de uma mesa durante cerca de duas semanas e, aparentemente, nenhuma medida preventiva foi tomada. É interessante ler (no Facebook) o testemunho de António Saleiro, antigo presidente da ANAREC (Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis), que põe em causa o papel das petrolíferas (que tentaram passar despercebidas, mas não ficaram bem na fotografia) neste modelo de negócio da distribuição de gasóleo e gasolina, já que continuam a esmagar margens às transportadoras, o que dificulta a capacidade negocial das empresas da ANTRAM perante estes camionistas.

A esta lamentável notícia juntou-se outra ainda mais triste: o acidente com um autocarro de turismo na Madeira, que fez 29 mortos. Uma notícia com impacto nos fluxos de turismo que chegam durante todo o ano à Madeira. É bom que as causas sejam verdadeiramente apuradas até para lembrar que Portugal é um destino seguro para os turistas de todo o mundo.

Uma nota final nesta estranha semana da Páscoa, em que houve, pelo menos, uma boa notícia: o Dinheiro Vivo é, pela primeira vez, líder dos económicos no digital. Quem o diz é o ranking oficial da netAudience, da Marktest, relativo a todo o mês de março e que agora foi publicado. Esta marca de jornalismo económico alcançou uma audiência multiplataforma de 1,13 milhões de pessoas, acima do concorrente direto (Negócios). A diferenciação de conteúdos, a forte aposta em vídeo e novos formatos e o trabalho de equipa ajudam a explicar o reconhecimento do público desta marca de informação do Global Media Group, no serviço diário ao leitor.

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