Um passo em frente…

A avaliação do risco de transmissibilidade do vírus, do nível de incidência, da gravidade clínica da pandemia e capacidade de resposta do SNS, incluindo a cobertura da vacinação da população, permitiram entrar numa fase de desconfinamento progressivo.

Efetivamente, demos um passo para a frente!

Contudo, apesar das fundadas razões para algum otimismo, é necessário manter o esforço de apoio de retaguarda à atividade empresarial, para se conseguir alcançar uma retoma sustentada e evitar os falsos arranques, que já assistimos com a evolução da pandemia, que recolocaram elevada incerteza e agravaram a situação económica e financeira de muitas empresas.

É certo que no segundo trimestre deste ano o PIB português conheceu um crescimento homólogo, em termos reais, de 15.5%, o máximo da série iniciada em 1995. Mas, não nos iludamos, pois nesta estatística há um enorme efeito de base, influenciado pelo segundo trimestre de 2020 - plena fase de confinamento -, em que o PIB teve uma quebra abrupta de que não há memória (-16.6%). Em termos homólogos, a destruição de riqueza no segundo trimestre do ano passado ultrapassou os 8.3 mil milhões de euros, o que traduziu um recuo do valor real do PIB trimestral para cerca de 42,4 mil milhões de euros, ou seja, para o patamar registado há duas décadas (no segundo trimestre de 1999).

Pese embora o efeito de base, é de assinalar a atual dinâmica favorável das exportações de bens, mantendo-se a evolução negativa nos serviços, com destaque para a componente das "Viagens e Turismo" cujo peso no total das exportações de bens e serviços se reduziu brutalmente (em cerca de 77%) face ao ano pré-pandemia.

São de louvar as recentes medidas aprovadas pelo Governo, com vista a proteger o tecido produtivo até que seja possível recuperar a confiança, reforçar a solvência de empresas viáveis e evitar um impacto negativo estrutural que perturbe a recuperação da economia. Algumas incidem sobre dois aspetos fundamentais: o do financiamento e o da capitalização das empresas, respetivamente com a criação da Linha de Apoio à Tesouraria para Micro e Pequenas Empresas e a criação do Fundo de Capitalização de Empresas.

Agora, impõe-se celeridade na sua execução!

Este é o caminho que devemos prosseguir. Uma retirada prematura dos apoios consagraria um enorme risco descendente na evolução do PIB, que devemos evitar, pelas implicações negativas em termos económicos e sociais.

Presidente da AEP - Associação Empresarial de Portugal

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de