Opinião: Luís Miguel Ribeiro

Uma ferrovia que responda aos desígnios do país

Fotografia: Maria João Gala/Global Imagens
Fotografia: Maria João Gala/Global Imagens

Os investimentos previstos no PNI 2030 para os corredores ferroviários Aveiro-Salamanca e Sines-Caia não servem os interesses das empresas e do país

Portugal está em campanha eleitoral, com a apresentação e debate das prioridades dos partidos políticos.

É ocasião para sublinhar que determinado investimento público terá de ser rapidamente implementado, independentemente do Governo que resultar das eleições.

É o caso da ferrovia para o transporte de mercadorias, que permita uma boa conexão aos mercados europeus, principais destinos das nossas exportações. Um investimento estrutural para aumentar a competitividade e a intensidade exportadora, para além da vantagem ambiental, contribuindo ainda para os objetivos europeus de transferência do tráfego da rodovia para os modos ferroviário e marítimo.

O investimento terá de ser analisado na perspetiva de um Plano Estratégico de Longo Prazo, que na mobilidade de mercadorias devia ser de 50 anos.

Infelizmente, os investimentos previstos no Plano Nacional de Investimentos (PNI 2030) para os corredores internacionais ferroviários Aveiro-Salamanca e Sines-Caia não têm essa visão prospetiva e não servem os interesses das empresas e do país.

A competitividade e atratividade destas linhas requerem que o traçado seja o mais curto possível, integre plataformas logísticas de grande capacidade e garanta a total interoperabilidade das linhas (bitola europeia), bem como outros requisitos de operação e competitividade, sob pena do país se tornar “numa ilha ferroviária”, como também já alertou um estudo da CIP – Confederação Empresarial de Portugal.

O próximo Governo deve prestar redobrada atenção às propostas que a AEP oportunamente apresentou, alinhadas com a posição da CIP.

No corredor internacional Norte, a opção mais adequada e urgente é a construção de uma nova linha férrea Aveiro-Salamanca (em vez da requalificação e modernização da Linha da Beira Alta), desde a plataforma logística de Cacia, passando por Viseu, e atravessando a fronteira em zona menos montanhosa, perto de Almeida, em direção a Salamanca. Com esta nova ligação seria ainda possível dispor de um Intercidades que assegurasse a ligação de modo competitivo entre vários territórios, servindo populações que hoje se encontram dependentes do transporte rodoviário de passageiros, promovendo assim uma maior coesão territorial.

A solução que apontamos permitirá responder, simultaneamente e com eficácia, a múltiplos desígnios que defendemos para o país.

 

Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal

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