Uma lei para pais e mães

Não tenho nada a ver com isto, mas se fosse meu filho andava na linha - aí andava, andava. Já viste como o miúdo fala com a mãe? Deus me livre de ter um filho assim. Também com a vida que aqueles pais levam: põem filhos no mundo mas não mudam a vida deles, é como se nada fosse. Não há regras; regras dão trabalho e quem é que quer ter mais trabalho? Pelo que vejo, um deles ainda vai bater na mãe. Havia de ser comigo! Há pessoas sem vocação para serem pais.

Não é nada comigo, mas já soubeste das notas do filho dela? Uma miséria. Olha, não há milagres. Aquilo são pais que só pensam em trabalho e em festas; têm dinheiro mas não têm juízo nenhum. O miúdo vai para a cama à hora que quer e sabe Deus o que anda ele a fazer naquele telemóvel que é mais caro do que o meu carro. Lá telemóveis e viagens sabem dar-lhe, mas dedicação e tempo de qualidade, "tá quieto. Desconfio que nem sabem em que ano anda o rapaz. Há pessoas que não têm tempo para serem pais.

Bem sei que não é da minha conta, mas já viste que o miúdo não tem amigos? Está sempre com a cabeça enfiada nos livros, mas brincar não é com ele. Olha que aquilo não é saudável - vê-se pela cor, coitadinho. Aqueles pais ainda não perceberam que a vida não se resume às notas? Ser geniozinho não o vai ajudar a ser mais feliz. Os outros até já gozam com ele. Também não os condeno: o rapaz é um bocadinho estranho. Fosse meu filho e estava a ser acompanhado, hoje em dia há tanta coisa, tanta oferta de cuidado especializado. Há pessoas a quem falta mundo para serem pais.

Não é que eu não tenha mais nada com que me preocupar, mas a maneira como vestem aquela criança até mete dó. O garoto nem é feio de todo, mas aquelas roupas não se usam numa criança daquele tamanho. É o pai que o veste, só pode. Ela sai cedo para o trabalho, que eu bem vejo, e é ele que faz quase tudo em casa. Ela é muito ambiciosa. Já vi muita coisa nesta vida e digo-te que em casamentos como este quem acaba por sofrer são os miúdos. Há pessoas que deviam pensar melhor nas suas prioridades antes de serem pais.

Bem sabes que não sou de reparar e muito menos de comentar a vida dos outros - já me chega a minha -, mas alguém devia fazer queixa daqueles pais às entidades próprias: aquela criança come doces a mais. Eu sei, porque os nossos filhos falam e o miúdo está cada vez mais cheiinho, "tadinho. Tanto doce deve ser ilegal. Cá para mim ele come daquela maneira para compensar alguma falha emocional, alguma carência afetiva ou isso. Se calhar vem dali separação dos pais ou coisa do género. Seja como for aqueles doces todos são um mau exemplo para os nossos filhos e para a sociedade. Há pessoas sem formação para serem pais.

Digo-te isto porque sei que também és pela liberdade e és amiga dela: já viste como ela castra os miúdos? Mete-lhes ideias religiosas na cabeça como se ainda vivêssemos no século passado e nem os deixa ter conta de Instagram - desconfio que nem Netflix no telemóvel os miúdos podem ter. Isto a mim revolta-me: ela não tem o direito de os educar assim, à margem da sociedade, fora da realidade. Vão falar de quê com os outros miúdos? Como é que vão arranjar amigos? Não é ela que passa por nerd por isso faz isto aos filhos. Há pessoas que não deviam ser pais.

Devia haver uma lei que definisse quem pode ter filhos. Em nome da liberdade.

(Este artigo foi escrito ao abrigo da figura de estilo ironia)

Jurista

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