Opinião

Uma semana com o foco na Europa

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Negociado durante 20 anos, o acordo com o Mercosul será o maior que a UE já estabeleceu.

Esta semana foi marcada por dois factos particularmente relevantes.
O primeiro, menos mediatizado, foi a conclusão das negociações comerciais entre a União Europeia e o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai).
Negociado durante 20 anos, o acordo com o Mercosul será o maior que a UE já estabeleceu, eliminando gradualmente as tarifas que vigoram nas trocas comerciais entre as duas regiões e facilitando às empresas europeias o acesso a um mercado emergente (mas ainda muito fechado) de 266 milhões de consumidores.

Para além das vantagens que trará, contribuindo para a intensificação e diversificação das exportações das empresas portuguesas em destinos onde temos importantes vantagens competitivas (basta pensar no Brasil), o acordo é também um forte sinal do compromisso da UE na defesa de um sistema de comércio aberto e baseado em regras internacionalmente aceites. A este respeito, é de notar que está prevista a salvaguarda dos padrões europeus de segurança dos alimentos e de proteção dos consumidores, incluindo ainda compromissos específicos em matéria de direitos laborais e de proteção do ambiente.

Depois dos acordos concluídos com o Canadá, Japão, Singapura e, também esta semana, com o Vietname, este acordo consolidará a União Europeia à frente de um processo de integração económica através de acordos com parceiros-chave, reforçando, assim, o seu posicionamento na economia mundial.

Espero que o processo de aprovação não sofra contrariedades e que o acordo com o Mercosul comece rapidamente a ser implementado no terreno.
O segundo facto da semana, foi o difícil, mas conseguido, consenso alcançado no Conselho Europeu para a escolha de quem, nos próximos anos, irá liderar o rumo da União Europeia, à frente das suas diversas instituições.

Se alguma lição pode ser retirada de um processo cujos contratempos abalavam já a credibilidade da Europa, é a de que os difíceis equilíbrios em jogo já não se coadunam com decisões tomadas por um núcleo restrito de países, por mais poderosos que sejam.

O processo não está concluído, nem livre de percalços, uma vez que o Parlamento Europeu tem ainda a última palavra na eleição da presidente da Comissão Europeia e do próprio colégio de comissários. A paz institucional ainda não está garantida.

Daqui a cinco anos, no fim do ciclo político que agora começa, o mundo e a Europa não serão os mesmos. Espero que as personalidades escolhidas sejam capazes de responder às mudanças que se perspetivam, como verdadeiros líderes, com visão do futuro capaz de pôr em marcha projetos comuns mobilizadores de vontades coletivas.
De facto, precisamos de líderes empenhados na construção de uma Europa mais equilibrada, mais coesa e mais próspera.

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