Opinião: Rosália Amorim

Uns arrefecem, outros aquecem

Mercados aguardam decisão do BCE

Os mercados ainda não começaram a acusar as notícias do abrandamento, mas já há o receio de que a Itália possa contagiar as restantes bolsas europeias

A Itália entrou oficialmente em recessão técnica, a terceira maior economia da União Europeia acusa as feridas do passado, ou seja, da crise política, bem como do abrandamento económico da zona euro. No conjunto dos países da moeda única, a economia está a encolher. Não bastava já o brexit para abanar o Velho Continente, agora a Itália provoca mais um solavanco. Alemanha e França também confirmam quão reais são os alertas do FMI e do BCE quanto ao arrefecimento europeu.

É preciso recuar ao último trimestre de 2013 para encontrar crescimentos mais magros. Segundo o Eurostat, o produto interno bruto trimestral da União Europeia cresceu só 1,5% no quarto trimestre de 2018 face a igual período de 2017. O desempenho da zona euro foi mais fraco, 1,2%.

Os mercados ainda não começaram a acusar as notícias do abrandamento, mas já há o receio de que a Itália possa contagiar as restantes bolsas europeias. Em termos internacionais, curiosamente, as bolsas até registaram o melhor janeiro de sempre e conseguiram recuperar do ano negro que foi 2018, sobretudo graças à mudança de postura do banco central norte-americano quanto ao futuro da política monetária e ao otimismo em torno da negociação comercial entre os EUA e a China.

Em Portugal “era fundamental, para ter crescimento, ter havido uma redução de impostos, mas estamos com uma carga fiscal enorme”, denuncia Abel Mateus. O antigo presidente da Autoridade da Concorrência, em entrevista ao Dinheiro Vivo e à TSF, nesta edição, mostra-se preocupado com “as nuvens cinzentas para os próximos tempos”.

Enquanto as nuvens não avançam nos céus, por cá continua instalada uma autêntica guerra pelo melhor talento, nomeadamente o tecnológico. Um estudo analisado nas páginas 6 e 7 revela que recrutar hoje em Portugal custa mais 15% a 20% do que no ano passado. As centenas de contratações, por exemplo da Mercedes ou da Google, prometem aquecer o mercado de transferências entre as multinacionais e não só!

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