Vacinas e Propaganda eleitoral

Recebi na quarta-feira, dia 2 de Junho, a segunda dose da vacina preventiva do Covid-19. Devido a problemas de saúde fui incluído no primeiro grupo prioritário, o que segundo a ministra devia estar terminado em finas de Março. O atraso é evidente.

Segundo dados divulgados mesmo entre a população mais idosa, mais de 90 anos, entre 80 e 90 anos, que são os de maior risco de morte, a vacinação também ainda não terminou. Porquê? Que explicações dão as autoridades por tão evidente falha em cumprir as prioridades estabelecidas?

A vacinação prossegue no mundo inteiro a ritmo diferenciados. O país que mais doses administrou é a China com mais de 680 milhões de doses, mais do que a população dos EUA e da União Europeia somados. Entre os grandes países os Estados Unidos surgem em segundo lugar com 40% da população já vacinada (duas doses), logo seguido do Reino Unido com 39% da população com duas doses.

Na União Europeia o ritmo também é diferenciado. A Hungria, que não seguiu cegamente as recomendações da Comissão Europeia, leva 53% da população com a primeira dose e 38% com as duas o que contrasta com os 36%-18% de Portugal. Mas na União Europeia temos também a Dinamarca com 38%-22%, a Espanha 40%-21%, Malta com 64%-44%, etc..

Na América Latina encontramos também países com melhor desempenho do que Portugal: Chile 56%-42%, o Uruguai 52%-29% e na Ásia também vários desde os Emiratos 47%-36%, Singapura 40%-31%, etc. e em África com as Seychelles com uns impressionantes 73%-67%.

Como explicar este relativo insucesso português? O que falhou? O que pode melhorar?

Vivendo no Concelho de Oeiras aí fui vacinado no Pavilhão Carlos Queiroz. A organização é boa mas pode ser muito melhorada, por exemplo as enfermeiras que dão as vacinas fazem um registo no computador, tarefa que podia ser feita por funcionário administrativo libertando tempo para maior número de vacinas/dia por enfermeira.

Mas o que choca é a propaganda eleitoral de Isaltino de Morais que somos obrigados a suportar nos períodos de espera, antes da vacina (que é relativamente curto) e, principalmente no período pós-vacina de cerca de meia hora.

Em ecrãs gigantes as pessoas são forçadas a ver filmes de propaganda da obra desenvolvida por Isaltino de Morais em Oeiras. Um abuso.

Era importante que o Almirante Gouveia e Melo explicasse se esta situação é regular ou irregular, se vai ser continuar ou não, e se os demais candidatos podem também usufruir deste tempo de antena.

Vacinado quero, naturalmente, ser, endoutrinado, definitivamente, não quero.

* Economista, MBA

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