opinião: Joana Petiz

Valham-nos Merkel e Lagarde 

Christine Lagarde e Angela Merkel. Fotografia: REUTERS/Hannibal Hanschke
Christine Lagarde e Angela Merkel. Fotografia: REUTERS/Hannibal Hanschke

É tolo pensar simplesmente que não há motivo para preocupações, quando além da situação europeia somos este país incrivelmente vulnerável.

Espanha, Alemanha, França, Itália, Reino Unido. O arrefecimento económico e a instabilidade política e social estão a espalhar-se como fogo na Europa e com particular intensidade nos nossos principais parceiros de negócios. E o cheiro a fumo já se sente nesta ponta do continente, mesmo que o lado de lá do Atlântico nos garanta uma injeção de ânimo sempre que desembarcam turistas americanos por estas terras.

Porém, ainda que alguns consigam manter o otimismo teimoso num cenário que vai enegrecendo a cada mês que passa, todos conhecemos demasiado bem as fragilidades que nos deixam constipados sempre que algum dos vizinhos mais fortes espirra.

É tolo pensar simplesmente que não há motivo para preocupações, quando a situação europeia é acompanhada da nossa triste condição de país incrivelmente vulnerável, com pouca flexibilidade orçamental para fazer face a ondas de choque negativas, que mantém níveis de dívida pública demasiado elevados e pouca margem de manobra para encontrar saídas de emergência quando as soluções habituais nos falham.

O mesmo é dizer que muito pouco mudou desde que batemos no fundo, em 2011. Não estamos mais resistentes, não aprendemos a defender-nos, continuamos irremediavelmente dependentes dos outros para nos mantermos saudáveis. Ainda preferimos saídas fáceis a caminhos pedregosos, mesmo sabendo que estes são os que nos levam ao futuro, aos verdadeiros êxitos e conquistas. E com eleições legislativas daqui a mês e meio, a tentação do facilitismo é ainda maior. O que é particularmente mau num final de ano em que a máquina europeia se encheu de grãos de areia.

Valham-nos Berlim e Frankfurt. Mesmo à beira de uma recessão, a Alemanha não cai com facilidade e recupera bem de abalos ocasionais. Por outro lado, o BCE sabe que a Europa ainda não está preparada para voltar a andar sozinha e está a cozinhar um novo pacote de estímulos à economia. Enquanto pudermos contar com ambos, há esperança de que as constipações não se tornem em pneumonias. E dá-nos tempo para nos melhorarmos. É preciso que o queiramos.

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