Vem aí a guerra da comida?

Primeiro foi um vírus com origem na China. Depois foi um invasor com origem na Rússia. Agora é a comida que pode provocar uma guerra, com origem em todo o lado. A diretora executiva do Fundo Monetário Internacional (FMI) avisou, no final desta semana, que a insegurança alimentar vivida em muitos países, aliada à alta inflação, leva a situações de fome, "que muitas vezes desencadeia agitação social e violência". É preciso manter os olhos bem abertos para este tipo de convulsões.

Esta não é claramente a típica mensagem de uma líder do FMI. Mas a componente social começa a ser uma forte preocupação global. Numa mensagem divulgada após a aprovação de um plano contra a insegurança alimentar, de várias instituições financeiras multilaterais, Kristalina Georgieva alertou que "a invasão da Ucrânia pela Rússia precipitou uma série de consequências económicas e sociais pelo mundo", sendo uma das mais preocupantes o corte nos fornecimentos de cereais e fertilizantes, e o aumento dos preços do petróleo, uma situação particularmente grave para os países africanos.

A estes fatores é preciso juntar o facto de hoje as finanças públicas dos países já estarem a ser pressionadas pela pandemia, com alta dívida pública, ter mais a inflação e a atingir os níveis mais elevados em décadas e ainda ver os rendimentos das famílias mais vulneráveis a baixar e a ficarem em risco grave de insegurança alimentar. "A história mostra-nos que a fome muitas vezes desencadeia agitação social e violência", lembrou a senhora FMI. Deixou ainda um aviso: "A comunidade internacional precisa de realizar ações de forma rápida e coordenada" para combater a crise alimentar". A diretora executiva do FMI aponta os exemplos da Moldávia e de Moçambique como países que recentemente receberam apoio financeiro, "com um foco no fortalecimento das redes de apoio social para os agregados familiares vulneráveis". Mas será suficiente?

O plano que foi aprovado e é partilhado por instituições financeiras multilaterais tem seis grandes objetivos: apoiar as populações vulneráveis, promover o comércio aberto, mitigar a escassez de fertilizantes, apoiar a produção de alimentos agora, investir em agricultura resiliente ao clima para o futuro, e apostar na coordenação para maximizar o impacto. E justifica-se mais do que nunca, até para que o elo não quebre do lado mais frágil: em África.

Jornalista

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