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A covid-19 trouxe outros surtos igualmente imprevisíveis e graves para a nossa vida, nomeadamente na área da cibersegurança. Recentes estudos defendem que a migração massiva para o trabalho remoto espoletou um conjunto de ações por parte de cibercriminosos que se aproveitaram de um aumento de vítimas despreparadas para lidar com ataques cada vez mais sofisticados.

Uma das áreas mais afetadas foi precisamente a da comunicação. Quantos de nós recebemos ao longo dos últimos meses pandémicos, ficheiros gratuitos de jornais e publicações, acessos a canais de televisão e conteúdos premium, normalmente pagos e que sustentam a saúde financeira de projetos editoriais?

Se 2020 acabou por ser marcado por várias melhorias na segurança digital, os próximos meses ou mesmo anos, serão marcados pela migração para o digital, com vários funcionários ainda a trabalhar em casa boa parte dos dias, existem boas razões (e os especialistas concordam) para prever um aumento de ataques cibernéticos de phishing, ransomware, domínios maliciosos e muito mais.

Ora, se em 2020 vimos muitos desses ataques concentrados na temática da covid, esse motivo está a mudar para um dos elementos mais importantes que dois confinamentos sublinharam: a necessidade de acesso a uma muito maior quantidade de conteúdos de entretenimento, que são normalmente pagos.

O recurso a websites piratas que permitem acesso gratuito a esses conteúdos, onde podemos visionar quase imediatamente séries, filmes, jogos de futebol, estão na ordem do dia. Não sejamos ingénuos. Todos os conhecemos, todos já passámos minutos a desligar dezenas de pop ups de cariz pornográfico que surgem de tanto em tanto tempo, em alguns casos até demos dados de um email para podermos ter acesso ao tão desejado clássico de futebol para evitar pagar ao seu fornecedor legal.

Parece ser um pequeno preço a pagar para não pagar uma mensalidade ou um pay-per-time. Acontece que não é.

Vamos deixar de lado a simples questão educacional. Não sou pudico, mas não é possível pedir honestidade aos nossos filhos se estamos, à frente deles, a roubar conteúdo pago enquanto fechamos freneticamente 10 janelas que nos sugerem websites de sexo explícito ou mesmo violento.

Um estudo publicado pela empresa de segurança cibernética Webroot sugere a este propósito que 90% dos sites de streaming pirata que oferecem futebol ao vivo e compartilhados nas redes sociais contêm conteúdo que constituem burla e malware, já para não falar de conteúdo extremo.

Sabemos que muitas destas empresas que geram conteúdos de entretenimento tudo têm feito para tentar fechar os websites ou privá-los de receitas. Faz um certo sentido na medida em que, se um website pirata não dá receita não existe impulso para o criar.

Uma das medidas foi colocar esses websites numa lista negra, o que diminuiu drasticamente o número de empresas legítimas que publicitavam nesses websites piratas. Sobrou o quê? Publicidade enganosa, esquemas fraudulentos, verdadeiras ameaças à segurança dos dados de quem os utiliza.

Os gestores de websites piratas ficaram sem opções. Para ganharem dinheiro, arriscam a segurança dos seus "clientes" com esquemas de malware, pop-ups e esquemas de criptografia, promessas de riquezas para os usuários menos preparados, anúncios convincentes que ligam a websites de notícias falsas envolvendo celebridades nacionais, download de apps com taxas de assinatura escondidas e excessivas que prometem serviços inexistentes.

Qual é a solução? Os consumidores devem pensar bem no tipo de experiência que querem ter: uma experiência de segunda categoria, arriscada, potenciam danos, ou relaxar na segurança de uma oferta oficial, certos de que ao financiar de forma segura a qualidade de transmissão de um jogo de futebol evitam a curto, médio e longo prazo potenciais perdas financeiras (e não só!)

Imaginem que têm duas opções, ou vão por aquela rua escura, com gente duvidosa, possivelmente armada, que quer o seu dinheiro e não se importa nada de lhe fazer mal ou por uma avenida bem iluminada onde tem apenas de pagar um bilhete de entrada, onde se é sempre bem recebido e bem tratado.

A escolha é nossa.

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