Opinião

VidCon. Meios tradicionais fazem a corte ao vídeo online

Palco do programa "World of Dance" da NBC na VidCon US 2018/Ana Rita Guerra
Palco do programa "World of Dance" da NBC na VidCon US 2018/Ana Rita Guerra

O vídeo online abriu a comporta e toda a gente quer um pedaço desse mercado. VidCon vai oferecer 2 mil dólares por semana a criadores emergentes

“Wow, eles estão para ali tipo pessoas normais”, gritava uma adolescente para o irmão, apontando para um grupo de Youtubers que conversava num canto do segundo piso do centro de convenções de Anaheim. “Eles são pessoas normais”, retorquiu o rapaz, um pouco mais novo, visivelmente menos entusiasmado. “Pessoas normais super famosas!”, argumentava a rapariga, com o sorriso rasgado de quem acabara de ter a sua primeira experiência de encontro imediato com a fama. Aqui, na VidCon, a fama não vem da televisão nem do cinema. Vem do YouTube, do Snapchat e do Instagram.

A nona edição da maior convenção de vídeo online do mundo atraiu cerca de 30 mil pessoas para Anaheim, mesmo ao lado da Disneyland, e foi possível distinguir muito bem os dois mundos que se encontraram. De um lado, crianças e adolescentes absolutamente fascinados com a versão offline do mundo que seguem diariamente nos seus tablets e smartphones, os ídolos do YouTube e outras plataformas de vídeo. Do outro, os adultos que trabalham na indústria e sabem os nomes de todos os criadores, provavelmente decorados em tabelas com os números de seguidores e visualizações à frente.

O negócio é tão tremendo e está em tal explosão que toda a gente quer um pedaço dele. De todas as VidCon a que assisti, esta foi sem dúvida a que tinha maior espaço de exposição, mais marcas e mais experiências a acontecer em simultâneo. Os suspeitos do costume estavam lá todos – o Facebook com uma área a promover a “Watch”, a nova secção de vídeos da rede social, o Instagram a promover a IGTV, que é talvez a maior concorrente que o YouTube enfrenta em anos, o próprio YouTube, que já ultrapassa os 1,9 mil milhões de utilizadores mensais, e uma bateria de outras marcas relacionadas. O Twitter, o Vimeo, a Awesomeness, a Fullscreen, a Famebit, a Snap (casa-mãe do Snapchat), Patreon, Rode Microphones, GoPro, DJI, Canon – todos presentes e em força. Mas a maior evidência do sucesso da convenção e desta indústria foi a forte presença de meios tradicionais. A VidCon foi comprada pela Viacom este ano e isso explicou porque é que o canal Nickelodeon tinha um espaço enorme e a MTV promovia o programa “MTV Cribs.”

O interessante foi o restante: a Paramount estava lá. A NBC montou um palco para promover o programa “World of Dance.” A Univision foi cortejar os criadores hispânicos. A Hasbro levou as marcas Transformers, My Little Pony e Nerf. A Adobe teve um espaço a promover o seu software. A Lego pôs toda a gente a montar criações nas paredes. A United Airlines – uma companhia aérea! – foi lá tentar atrair futuros clientes desde pequeninos. Houve até uma marca de comida vegana, Califia Farms e o Skype tentou vender-se como plataforma de criação.

Nos painéis e keynotes, várias marcas fizeram anúncios relevantes, o que mostra como o palco da VidCon se tornou importante para elas. E nos corredores, aspirantes a Youtubers famosos perseguiram os seus criadores favoritos. Câmaras na mão, maquilhagem no ponto, cabelos às cores, smartphones em punho a fazer transmissões ao vivo. Ver e ser visto, tanto online como offline, são necessidades com fronteiras cada vez mais separadas.

No segundo dia de convenção, mais um anúncio extraordinário – talvez o mais relevante de toda a VidCon: a convenção vai oferecer bolsas de dois mil dólares a “criadores emergentes”, um por semana durante um ano. É um investimento de 104 mil dólares por parte da VidCon, que foi anunciado pelo fundador Hank Green. Está aberto a qualquer pessoa que crie e carregue os seus vídeos no YouTube, Instagram, Facebook, Snapchat, Twitter, Twitch, Musical ly, Tumblr, Pinterest ou um blogue. Em paralelo com as novas formas de monetização dos vídeos, esta iniciativa mostra o quão importante é atrair mais criadores com mais qualidade para plataformas onde já existe tremendo ruído.

Ainda que a maioria de nós desconheça os nomes dos 44 “featured creators” que foram escolhidos pela VidCon deste ano como criadores em destaque, a sua influência e alcance são notáveis. Principalmente porque apanham a geração de onde sairão os consumidores de amanhã. Agora que há tantas plataformas a concorrerem pela atenção do público, tornou-se impossível para as marcas ignorarem o fenómeno. Há milhares de milhões de espectadores à vossa espera.

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