Opinião: Alberto Castro

Viva a geringonça 2!

Fotografia: Orlando Almeida/Global Imagens
Fotografia: Orlando Almeida/Global Imagens

Qualquer leitor atento do PRES constatará que o mesmo não é compatível com os programas do BE ou do PCP, a não ser na parte da intervenção do Estado

Dia após dia, a realidade tem vindo a confirmar o completo desfasamento dos valores de referência e objetivos anunciados pelo governo para o orçamento suplementar. Como dizia no último escrito, se esperar o melhor é legítimo, preparar-se apenas para o melhor (quiçá, contagiado pelos amanhãs que cantam) pode comprometer as condições económicas e sociais e, por conseguinte, políticas para que o Plano de Recuperação Económica e Social (PRES) possa vir a ser executado. De pouco vale ter um plano e fundos europeus se falharmos na transição.

Admitamos que, cedo ou tarde, o governo arrepiará caminho, e o PRES não será uma miragem. Empreendimento para 10 anos, vale a pena recordar que não há na nossa democracia exemplo de um partido, só ou em coligação, ter estado no poder 15 anos consecutivos. Manda a humildade que o PS deva tentar criar um chão comum, salvaguardando a continuidade das políticas que darão expressão ao PRES. A não ser que esteja a usar o sofisma do sonso, a ideia de renovar a geringonça não é auspiciosa. Percebe-se que Costa Silva não queira envolver-se em polémica, mas qualquer leitor atento do PRES constatará que o mesmo não é compatível com os programas do BE ou do PCP, a não ser na parte relativa à intervenção do Estado e às infraestruturas (e é bastante!).

O sucesso do PRES depende da reunião de competências funcionais (saberes e habilidades) e institucionais (políticas, administrativas, organizacionais). Vendo bem, talvez a geringonça-2 não seja impeditiva: planeiem-se e orçamentem-se os investimentos públicos exigíveis, incluindo a criação de bases para o investimento privado. Quanto ao restante plano, não havendo tempo, nem modo, de fazer a necessária reforma de uma administração viciada na lentidão burocrática, que comprometeria a sua concretização, afete-se a verba restante a descidas dos impostos fazendo-as depender, no caso das empresas, do reinvestimento dos lucros. O PRES seria o referencial para majoração. Se a Comissão Europeia assim permitisse, venha de lá a geringonça-2!

 

Alberto Castro, economista e professor universitário

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