Viva o elétrico, morte ao lítio!

Sol na eira e chuva no nabal. É o que se quer, e não se admite que possa haver outra forma de estar.

Neste novo normal - mais uma aberração, como todas as que a sociedade gosta de enfiar debaixo desta expressão -, o povo manifesta-se pelas energias limpas mas é feroz oponente de todos os meios que as capacitam. E assim vamos assistindo, com megafone garantido pelos ditos ambientalistas, a marchas contra as pás das eólicas que matam passarinhos, a protestos antibarragens que estragam o ecossistema, a levantamentos populares que arrasam painéis solares que aquecem o ar. E mais recentemente, à união de povo, autarcas e pretensos ecologistas contra a exploração de lítio em Portugal.

Os inquestionáveis apoiantes da eletrificação da economia, que exigem que se reduza emissões a todo o custo - e, diga-se, que vivem numa região cada vez mais despojada de pessoas e de capacidade de subsistência ou diversificação de meios de rendimento, sendo os serviços públicos locais os quase exclusivos empregadores - rasgam as vestes perante a possibilidade de se tirar lítio da sua terra. E não admitem que, à custa de 16 anos de prospeção, Portugal possa tornar-se no grande fornecedor europeu desta matéria-prima, essencial à manufatura de baterias e que a Comissão Europeia considerou "crítica" para os objetivos de descarbonização e transformação energética da economia. Um projeto que tem ainda a capacidade de ressuscitar uma região moribunda, de ali criar emprego qualificado e gerar efeitos económicos em cadeia com potencial para se prolongarem muitas décadas depois de desativado o negócio mineiro.

Não é séria nem responsável a atitude de quem assim se comporta. Ainda mais sabendo-se que uma exploração mineira limitada pela apertada regulamentação europeia terá sempre todas as vantagens sobre um projeto desenvolvido numa região do globo onde o dinheiro fale mais alto do que qualquer precaução - ambiental, de desenvolvimento económico e até de direitos humanos.

Estude-se, exija-se medidas de mitigação à altura e fiscalize-se que as melhores práticas de facto o são. Mas não nos façam perder tempo com guerras ocas e egoístas.

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