Viver e trabalhar fora de grandes cidades: qualidade de vida

O relato na primeira pessoa de um profissional da tecnologia que aproveitou as novas formas de organização de trabalho para melhorar a sua qualidade de vida, conciliando trabalho remoto e local no interior.

Se vivemos numa era digital, o lugar físico onde nos encontramos será um impedimento para se ser um bom profissional na área da tecnologia?

Nos tempos estranhos em que vivemos, com uma pandemia a forçar o mundo do teletrabalho, se houve algo que percebemos foi que este pode ser exercido em qualquer lugar e não necessariamente estar-se no Porto ou em Lisboa para se poder aproveitar grandes oportunidades nesta área.

Ao fugir dos grandes centros populacionais, para além das empresas poderem baixar custos físicos e fixos, podem também aumentar outros fatores motivacionais para os seus trabalhadores e ajudar no aumento de qualidade de vida.

Profissionalmente tive a oportunidade de trabalhar no Porto durante um ano. A minha vida nessa altura, estando a viver em Aveiro, era sair de casa antes das 7 horas, apanhar um comboio, um metro e mais dez minutos a pé, isto só para chegar à empresa. Não conseguia entrar em casa antes das 20h/21h num dia bom, em que os transportes públicos não falhassem. Caso me deslocasse no meu veículo, sabia que me esperava pelo menos 1 hora de viagem para cada lado, mais o trânsito que apanhasse a entrar e a sair do grande Porto.

Ao mudar de emprego para uma empresa em Aveiro, eliminei todo este tempo "perdido", porque agora em menos de 10 minutos estou na empresa. Com mais tempo livre e menos tempo em viagens, consegui ganhar em muitos aspetos na vida pessoal ficando com mais disponibilidade para investir em mim e na minha família. Por exemplo, posso agora ocupar esse tempo com formações e projetos enriquecedores quer a nível pessoal quer a nível profissional. Posso ir almoçar a casa ou ir às compras na minha hora de almoço.

Estes pequenos detalhes no fim das contas, aumentam a minha qualidade de vida, fisicamente e psicologicamente, fazendo de mim um melhor e mais empenhado trabalhador para qualquer empresa.

Os números falam por si quando nos mostram que o custo de vida em Aveiro, segundo o site Expatistan é 17% mais barata que Lisboa e 10% que no Porto. Aveiro tem todas as regalias de uma grande cidade, no entanto em dez minutos é possível estar junto do mar e praia ou em plena floresta ou mata e esta é apenas mais uma cidade como tantas outras espalhadas no país.

Viver em centros habitacionais mais pequenos pode ser a solução para alguns problemas dos dias que correm. Juntamente com a criação de caminhos híbridos, e mais flexíveis de forma a promover a presença não física nos grandes centros como, por exemplo, aumentar ou implementar um número de dias em teletrabalho pode diminuir fatores como o trânsito, a poluição ambiental, entre outros. Ao distribuirmos as pessoas por mais cidades, vilas ou aldeias, podemos combater a desertificação dos meios rurais ou menos populosos como o interior do país. É verdade que se perde um pouco a componente social e o espírito de camaradagem presente no grupo onde se está inserido, mas chegou a hora de fazer com que todo esse mundo tecnológico seja usado a nosso favor de forma a diminuir distâncias e a encurtar os espaços entre pessoas.

Todas estas soluções mais híbridas e flexíveis podem trazer inúmeras vantagens quer para a empresa quer para o trabalhador. Todos os pequenos passos que possamos dar para tornar a vida de cada e o nosso mundo melhor, serão importantes.

Muita coisa pode mudar com uma pandemia. Estávamos longe de imaginar que iríamos estar nos nossos domicílios a trabalhar com a mesma eficácia e produtividade como se fosse no escritório. Será que estamos todos preparados para a mudança?

Diogo Carvalho, Software Developer, ADENTIS

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de