Opinião: Hugo Veiga

Voando sobre um NST de CMO’s

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"O uso de siglas deixou de ser apenas um surto e é agora uma epidemia na grande maioria das corporações."

Fagundes emendou uma sequência de CTRL+C no DOC e CTRL+V no PPT e correu para a sala de reuniões onde o CEO, CFO, CCO, CMO, CTO, CHRO, CKO e mais uns indivíduos de nomes comuns como o Jefferson da contabilidade e Amarilda, do almoxarifado, aguardavam impacientes. Enquanto conectava o seu laptop, Fagundes perguntou se todos estavam conscientes do secretismo da INFO que ia partilhar e se haviam assinado o NDA. O bando de cabeças assentiu.

– É um vírus. É contagioso. O uso de siglas deixou de ser apenas um surto e é agora uma epidemia na grande maioria das corporações.

“OMG!!!” escutou-se do gringo que acompanhava a reunião por VCC. “PLMDDS!!!” gritou a CTO. O pânico tomou conta da sala.

– CALMA! – gritou o CEO. – Não vamos nos exaltar. Felizmente, a nossa corporação ainda não foi afectada. Fagundes, tem noção do DAU de siglas? Perdão, do Daily Active Usage de siglas. Se o número for elevado, precisamos de CTA urgente… Call To Action, digo. Temos que montar um MVP para combater essa atrocidade.

– Um quê?

– Um MVP, minimum viable product, que já tenha em conta um CPM baixo na hora de o aplicarmos. Custo Por Mil… desculpem de novo. E sorriu amarelo.

Fagundes escutou tudo em silêncio, olhou vago para o chão e disparou: “Senhoras e senhores, nós já estamos afectados.”

Se até então, os ânimos estavam apenas animados, a partir desse momento, todos perderam a compostura. O CCO defendeu que nunca usou termos com ROI. O CMO, explicava que tinha tirado boas notas a português e que nem quando falava com mulheres no mIRC, escrevia “queres tc”.

Ninguém o escutou. Não por duvidarem das suas palavras, mas porque a sala era agora um tumulto sonoro sem precedentes. “Cadê os TFO’s?!”, “Ai, MDS, tragam AGA que está a dar-me o chilique.”, “LVR, vocês são todos LVR’s! Sabem lá do que FLT.”

Fagundes queria sair da sala, mas não podia. Os seus superiores estavam guardando a saída.
“Precisamos de um SEM urgente. Liga para o TI.” Quanto mais que eles tentavam manter a calma, mais eles perdiam a CPP. O que era algo IAE, tanto nas Facilities como na Holding. A reunião estendeu-se por horas, destruindo todas as métricas de EPT, RWU e MNR. E ninguém teve a frieza de resolver a situação começando com um simples Q&A, em conjunto com CNM e BVC, que numa WOW de RVD focada, já traria os results necessários para toda aquela CDA. Certo, é que no FDD, já todos desejavam que fosse Sexta-Feira para fugir para o FDS com LUJ e UIV’s debaixo do braço. Fagundes estava exausto e, contaminado, referiu que nunca mais iria FTR os YHK’s da AFT da empresa. “ATP!”, exclamou e saiu, com os pés por cima dos OBN do CTO e a mão no rosto do CEO.

(Só para dizer que do meio deste artigo até aqui, as siglas não querem dizer absolutamente nada. Este texto é apenas o meu humilde apelo para pararem com a mania de criar siglas de tudo. “PQP, HV!!! VTF por fazeres perder o meu tempo.” Reclamam VCS, e com razão.)

DSCLP qualquer coisa, PPL.

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