Opiniãio

Votar

Comissão Europeia

Não tenhamos dúvidas de que as decisões tomadas a nível da União Europeia têm uma influência crescente no dia-a-dia de cada cidadão

Na véspera das eleições para o Parlamento Europeu, não poderia deixar de voltar a falar da Europa.
Respeitando a reserva a que estou obrigado neste dia de reflexão, faço-o, já não para afirmar as minhas convicções sobre as respostas que os desafios europeus exigem, mas para lembrar a responsabilidade que nos cabe como portugueses e europeus de votar nestas eleições. Várias explicações têm sido avançadas para a tendência crescente das taxas de abstenção em todas as eleições, e com maior incidência nas eleições europeias.

Haverá quem não vote por dar por garantido que nada fundamental está em jogo, que os resultados das eleições não farão muita diferença na nossa vida, que por isso nada precisamos de fazer.
Mas não tenhamos dúvidas de que as decisões tomadas a nível da União Europeia têm uma influência crescente no dia-a-dia de cada cidadão. Uma parte substancial da legislação em vigor no nosso país é, de facto, legislação europeia ou deriva dela, e o Parlamento Europeu tem um papel essencial no processo de decisão europeu. Além disso, os resultados destas eleições influenciarão também a escolha do próximo presidente da Comissão Europeia. Aliás, toda a Comissão Europeia será sujeita à aprovação do Parlamento Europeu.

Será que não nos importamos que o Parlamento Europeu, com este poder de influenciar direta e indiretamente a nossa vida, o nosso futuro e o dos nossos filhos, seja composto maioritariamente por quem não partilha as nossas convicções e os nossos valores?
A democracia em que vivemos é frágil, como é frágil a relativa prosperidade que nos tem proporcionado o projeto europeu. Não os demos por adquiridos. Abstermo-nos de votar é desprezar o passado e desistir do futuro. Votar é o primeiro passo para fortalecer e renovar a democracia e a economia europeias.

Outro fator que pode explicar o aumento da abstenção é a desilusão face à classe política e às instituições. Como tenho afirmado, a confiança nas instituições tem de ser restaurada, sob o risco de cairmos em situações de rutura. Mas alhearmo-nos da política e olharmos indiscriminadamente para os políticos com desconfiança só alimentará a ascensão ao poder de defensores de soluções que não são as nossas. A história está cheia de exemplos que o confirmam.
Como pano de fundo a estas explicações está a erosão do sentimento de pertença a uma comunidade.

Numa sociedade em que o individualismo cresce, o sentido do dever cívico vai-se esbatendo. É preciso tomarmos consciência de que apenas comunidades fortes e coesas serão capazes de enfrentar os desafios do nosso tempo. Temos o dever de participar ativamente na construção dessas comunidades.
Na era da globalização, mas num contexto incerto a nível geopolítico, com alianças históricas que se degradam e o retorno do protecionismo, os Estados são incapazes de responder isoladamente aos desafios mundiais que enfrentamos. As decisões tomadas a nível europeu são por isso essenciais para o nosso futuro coletivo.
A União Europeia é, de facto, uma comunidade que somos chamados a construir. Votar amanhã é o mínimo que todos podemos fazer.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Assembleia da República. Fotografia: António Cotrim/Lusa

Gestores elegem medidas para o novo governo

Entrevista DV/TSF com secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho.
Fotografia: PAULO SPRANGER/Global Imagens)

Ana M. Godinho: “É preciso um compromisso de valorização e subida de salários”

TVI

Cofina avança com OPA sobre 100% da Media Capital por 255 milhões

Outros conteúdos GMG
Votar