Opinião

Opinião. Why so serious, Apple?

A man is silhouetted against a video screen with a Facebook logo as he poses with a smartphone in this photo illustration taken in Zenica

Quando o iPhone X foi anunciado, tornou-se evidente que a tecnologia de reconhecimento facial era melhor e mais fidedigna que a de outros smartphones

Sempre que a Apple introduz uma nova tecnologia, há um efeito de massificação que é inescapável. É uma espécie de “carimbo” de aprovação da marca que tem uma influência tremenda na indústria tecnológica, como já se provou uma e outra vez ao longo de décadas. O reconhecimento facial do iPhone X encaixa nessa categoria, e os problemas associados têm naturalmente mais visibilidade que, por exemplo, teve o facto de a mesma autenticação no Galaxy S8 da Samsung poder ser enganado com uma fotografia.

A Apple orgulha-se de pegar em algo que já existe e aperfeiçoá-lo, lançando-o para o mainstream. Quando o iPhone X foi anunciado, tornou-se evidente que a tecnologia de reconhecimento facial era melhor e mais fidedigna que a de outros smartphones. Os especialistas em biometria que falaram na conferência Money 20/20 alinharam na ideia de que a introdução da tecnologia no iPhone marca o momento da sua massificação. Foi o que disseram Toby Rush, da EyeVerify e David Pollington, da GSMA.

No entanto, o iPhone X também traz uma série de questões importantes: porque é que não vem acompanhado do leitor de impressões digitais, dando ao utilizador a possibilidade de escolha na autenticação biométrica que quer usar? Porque é que só permite o reconhecimento de uma cara (ao contrário das impressões digitais)? E porque é que permite que membros da família com características faciais semelhantes consigam desbloquear o telefone após algumas tentativas?

Neste último caso, a falha está relacionada com a aprendizagem de máquina integrada na tecnologia. Por exemplo: o irmão do utilizador, que até é parecido com ele, pega no telefone mas o sistema não reconhece a cara, obrigando à introdução do código numérico. Depois de isto acontecer algumas vezes, a aprendizagem de máquina começa a adaptar-se e acaba por reconhecer a cara do irmão, permitindo-lhe, a um certo ponto, desbloquear o telefone ao olhar para ele.

Isto deve-se ao mecanismo adaptativo da tecnologia, em que o sistema está constantemente a tentar melhorar o grau de reconhecimento, à medida que o utilizador envelhece, muda de penteado, coloca óculos, sorri ou chora, etc. A própria Apple explica isso na descrição do Face ID: “Estes dados serão refinados e atualizados à medida que você usa o Face ID para melhorar a experiência, incluindo quando autentica com sucesso. O Face ID também irá atualizar os dados quando deteta uma similaridade mas o telefone é subsequentemente desbloqueado com código.”

Esta questão é mais interessante que a suposta descoberta de investigadores no Vietname, publicada esta semana, mostrando como enganar o sistema com uma máscara que custou menos de 150 dólares a fazer. Há um vídeo online da empresa de cibersegurança, Bkav, mas não se percebe até que ponto o ataque é real. Por exemplo, e tal como questiona a Forbes, o registo no telefone era da cara da pessoa, ou da própria máscara? Terão usado o truque acima descrito, que usa a aprendizagem de máquina para levar o iPhone X a eventualmente reconhecer a máscara?

De notar também que a Apple não diz que a tecnologia é 100% infalível, mas que é muito mais segura que a leitura de impressões digitais. E todos nos habituámos a usá-las ao longo dos últimos anos, sem grandes preocupações nem episódios bizarros. O que interessa, como me disse o analista da IDC Francisco Jerónimo, é que a autenticação funcione de forma fácil e transparente. Que seja útil e cómoda. É isso que a Apple terá de melhorar nas próximas interações; se vale a pena ou não comprar o iPhone X para ter esta novidade são outros quinhentos.

A discussão sobre o uso de autenticação biométrica é que tem de se ter agora, porque veio para ficar. Rob Douglas, CEO da BioConnect, diz que já há cerca de mil milhões de pessoas a usarem reconhecimento biométrico todos os dias e até garante que a privacidade está a ser bem protegida dentro destas aplicações. Mas também sublinha que não existe uma única solução biométrica que vai reinar sobre as outras, e que a melhor maneira de aumentar a nossa segurança é usar várias, conforme o caso de utilização. “O comportamento é o quinto elemento biométrico”, disse. E para esse, que em muitos casos é a chave que tranca ou desbloqueia a nossa segurança online, também vamos precisar de um algoritmo.

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