Poupança para a Vida

“A dependência e a funcionalidade são os grandes problemas do futuro”

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A diretora-geral de Saúde admite carreiras contributivas mais longas no futuro. Mas, para isso, é essencial que a população se mantenha saudável.

Objetivamente, a partir de que idade somos velhos?
Estou em crer que à medida que a esperança de vida aumenta, a idade de 65 anos não corresponde aquilo que tradicionalmente se chamará a velhice. Até porque há países, como em Portugal em que as mulheres já ultrapassam os 85 anos de esperança média de vida, onde quem chega aos 65 tem a expetativa de viver mais 20 anos, pelo menos. Não sei quando será, mas algum dia as instituições internacionais vão ter de estabelecer outro tipo de limite porque os 65 anos, para muita gente, já começa a ser demasiado cedo para se considerarem idosas. E ainda bem, porque quer dizer que essas pessoas se sentem bem e se sentem ativas, autónomas e funcionais e isso é um fator muito positivo.

Atualmente em Portugal, em muitos casos viver mais não é necessariamente viver melhor. Tendo em conta que tendemos a ser uma sociedade cada vez mais envelhecida, que peso é que isso tem na economia e, mais concretamente, no Serviço Nacional de Saúde?
Tem um peso enorme não só no Serviço Nacional de Saúde e na economia como no fator da autonomia das pessoas e da sua capacidade para desenvolverem atividades do dia-a-dia, como eventualmente para contribuírem para o tecido económico. É um problema em Portugal que outros países desenvolvidos não têm. Nesses países, caso do norte da Europa, vive-se mais e melhor, com mais saúde, aproximando a fase da morbilidade da fase da morte. Chama-se a isso compactar a morbilidade, ou seja, adoecer o mais perto possível da morte, de modo a que as pessoas vivam com qualidade de vida. Esse é um dos grandes desafios do sistema nacional de saúde e da sociedade ativa: as pessoas terem um envelhecimento ativo e saudável. Ao longo da nossa vida fazermos tudo que nos permita quando chegarmos a velhos – seja aos 65 ou aos 70 – que o façamos da melhor maneira possível. E aqui creio que as questões da funcionalidade e da autonomia são determinantes. Além do sofrimento que causam, se não existirem essas duas funções as pessoas ficam dependentes da ajuda de terceiros, sendo esse terceiro o Estado, uma entidade privada, o setor social, ou as próprias redes sociais e de solidariedade familiares ou entre amigos. A dependência e a funcionalidade são os grandes problemas do futuro. Falou-se aqui sobre como a automação consegue ou não ajudar em determinadas funções. Mas até lá temos de tentar chegar saudáveis até ao mais longe possível. Quanto mais perto da morte as pessoas adoecerem melhor, menos é a carga para elas próprias, para a sua família e a carga social, seja em termos económicos, seja de prestação de cuidados.

Adivinha-se que no futuro, o envelhecimento ativo seja também contributivo?
Sim, se de facto se chega a determinada idade com capacidade para se estar no mercado de trabalho, a contribuir de forma ativa para a sociedade, para o nosso próprio rendimento e para o nosso próprio bem-estar, faz sentido que à medida que conquistamos anos e o fazemos com saúde, também nos consigamos manter mais tempo no sistema como adultos produtivos. Isso será uma tendência da sociedade, que está muito relacionada com o estado físico e mental das pessoas. Para que as pessoas consigam continuar a fazer circular dinheiro na sociedade, trabalhando, contribuindo, obviamente têm de ter saúde, funcionalidade e autonomia. SAIBA MAIS

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