Bolsa

Impresa cai 10% em Bolsa com saída do negócio de revistas

24.08.2017 / 13:57

A saída do segmento das revistas era um passo necessário mas analistas questionam se será suficiente.

As ações da Impresa, dona da SIC, afundaram hoje mais de 10%, com o acentuar dos receios dos investidores em relação à situação financeira do grupo.

Analistas apontam que a reorientação estratégica da Impresa era um passo necessário mas que o grupo poderá ter de adoptar mais medidas para estancar as suas necessidades de liquidez e nível elevado de endividamento.

A Impresa anunciou ontem que vai sair do segmento das revistas para melhorar a sua situação financeira e que reorientou a sua estratégia e vai focar-se no audiovisual e no digital. O grupo detém 13 revistas que agora deverão ser vendidas ou mesmo encerradas, incluindo a Visão, a Exame, Exame Informática, Activa, Caras e Blitz. A Impresa vai manter o jornal Expresso.

Apesar de não haver um prazo definido, existe a pressão para que a saída do segmento das revistas esteja concluído até ao final deste ano, apurou o Dinheiro Vivo.

Esta quinta-feira, as ações da Impresa desceram mais de 10% para os 0,29 euros, tendo sido negociados 967 mil títulos ou 295 mil euros.

Para os analistas do Caixa-Banco de Investimento, “o reposicionamento estratégico ao nível do setor das revistas surge como um passo necessário tendo em vista uma maior desalavancagem da empresa”, referem no seu boletim de análise diário.

Mas a queda expressiva do preço das ações do grupo esta quarta-feira mostra uma reação negativa do mercado ao anúncio feito ontem ao fim da tarde.

“O mercado espera que o grupo possa ter de tomar mais medidas. Não acredita que a saída do segmento de revistas será suficiente para estancar as necessidades de liquidez e reduzir a dívida”, afirmou Steven Santos, gestor do BiG.

“As ações da Impresa estão a cair fortemente e a reverter com muita força a tendência de subida que registara até ao máximo do ano, alcançado a 30 de junho”, adiantou.

Os analistas apontam para a eventual dificuldade na venda das revistas devido à reduzida dimensão do mercado português e à crescente tendência de migração de leitores do papel para os títulos digitais e redes sociais.

Segundo uma fonte interna do grupo, as revistas da Impresa estarão avaliadas em 32 milhões de euros mas as imparidades correspondentes a este segmento chegam a 30 milhões de euros e no limite atingem os 50 milhões de euros, em caso de encerramento dos títulos, devido aos custos com despedimentos.

Ao que o Dinheiro Vivo apurou, a Impresa está em conversações com, pelo menos, três potenciais compradores, e poderá vir a vender títulos individualmente.

Ações já bateram no fundo?

Desde o máximo deste ano registado a 30 de junho, nos 0,5 euros, as ações da Impresa já desvalorizaram 37% e anularam boa parte dos ganhos registados desde o início de 2017.

As ações subiram 144% desde o início de janeiro até 30 de junho. Atualmente, a Impresa ainda soma um ganho em Bolsa de 55% em 2017, segundo dados da Reuters.

“Se quebrarem o mínimo de hoje podem descer até aos 0,2790 euros”, apontou Steven Santos.

Às 13H44, as ações da Impresa seguiam a cair 6,5% para 0,302 euros.

Os investidores acentuaram a fuga das ações da Impresa após o dia 21 de julho, data em que o grupo anunciou o cancelamento de uma emissão de dívida de 35 milhões de euros. A oferta obrigacionista falhou depois de ter sofrido dois adiamentos, não tendo o grupo conseguido convencer investidores a investir em dívida da Impresa.

No final de junho, a dívida financeira líquida situava-se em 189 milhões de euros, acima dos 186,6 milhões de euros registados no final de 2016.

No primeiro semestre de 2017 a área de publishing da Impresa, que inclui as revistas, teve receitas de 22,3 milhões de euros, uma descida de 6.6%, em termos homólogos, e um EBITDA (Earnings Before Interest Taxes, Depreciation and Amortisation) de 275 mil euros, ajustado a custos de reestruturação, o que corresponde a uma margem EBITDA de 1.2%.