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Afinal nem tudo ia bem nas bolsas mundiais

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Na última semana começaram a aparecer as primeiras brechas nos mercados. PSI 20 não escapou e perdeu dois mil milhões.

Foi uma das piores semanas para as bolsas mundiais desde o pico da crise de dívida na Europa. Nos EUA, as ações chegaram a estar a viver a pior semana desde 2008, ano da grande crise financeira. Mas no final da sessão de sexta-feira mitigaram algumas perdas, fechando com a pior semana em dois anos. As ações mundiais perderam mais de 6% na semana e o grau de nervosismo dos investidores duplicou. Evaporaram-se quatro biliões de euros de valor de mercado. O PSI 20 não escapou à tempestade, perdendo mais de 4% – evaporou mais de dois mil milhões em valor de mercado.

Após anos de acalmia e de ganhos constantes, a montanha-russa nas bolsas veio instalar a dúvida sobre se os mercados estavam de tão boa saúde como muitos pensavam. A explicação dos especialistas é de que após anos de anestesia dada pelas políticas não convencionais dos bancos centrais, os investidores temem o que irá acontecer se os bancos centrais, como a Reserva Federal dos EUA, se tornarem mais agressivos do que o esperado para travar a inflação.

Esses receios surgiram depois de a 2 de fevereiro os dados do mercado de trabalho nos EUA terem mostrado os dados dos emprego. “Os números melhores do que o esperado do mercado de trabalho e dos salários aparentam ter sido um gatilho importante”, observa a Allianz Global Investors (AGI). Explica que isso pode levar a subidas da inflação e obrigar a Fed a subir os juros de forma mais rápida. Os investidores estavam mentalizados para três aumentos neste ano. E ficaram na dúvida se os mercados financeiros estão em condições de aguentar um maior número de subidas dos juros.

“O cenário de expansão económica saudável, o aumento dos lucros das empresas e de inflação estável está a mostrar as primeiras brechas”, consideram os especialistas da Allianz Global Investors. Apesar disso, alguns bancos de investimento, como o Barclays, consideram que as quedas acentuadas não são “até agora, um sinal de que exista algo sinistro” no mercado.

Também a AGI nota que há condições favoráveis para as bolsas. A política monetária a nível global ainda é suave e a economia mundial ainda tem margem para melhorar, defende a gestora. Mas depois de o índice que mede o medo dos mercados ter disparado 100% para o nível mais alto de 2015, a AGI especifica quais são as brechas que começam a causar receios nos investidores.

“Algumas classes de ativos, como o S&P 500 ou a dívida de empresas com maior risco, tornaram-se caras”, diz a AGI. E relembra os avisos que foram feitos nos últimos meses sobre o risco de os investidores estarem a ficar demasiado complacentes: “Por exemplo, os riscos políticos não são suficientemente tidos em conta e os investidores estão demasiado otimistas e detêm apenas pequenas reservas de liquidez”. E, como diz Warren Buffett, é nestes momentos em que a maré desce que se descobre quem estava a nadar nu.

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