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BdP: Sobrevalorização do imobiliário é um dos grandes riscos para a banca

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A crescente exposição dos bancos à dívida soberana também ameaça o setor, segundo o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco de Portugal.

A sobrevalorização do mercado imobiliário residencial em Portugal é um dos principais riscos para a estabilidade do sistema financeiro português e os bancos devem continuar a adotar medidas para se protegerem de uma eventual crise, tendo cautela da distribuição de dividendos e reduzindo o ainda elevado nível de crédito malparado.

A crescente exposição dos bancos em Portugal à dívida soberana também constitui uma possível ameaça para o setor e os bancos precisam ter almofadas de capital suficientes para fazer face um risco de mercado, avisa o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco de Portugal, divulgado esta quarta-feira.

O relatório aponta outras ameaças à estabilidade do setor, incluindo um eventual choque que leve a uma crise nos mercados financeiros – o que faria disparar o risco dos prémios de risco -, o potencial abrandamento mais acentuado da atividade económica e o prolongamento de um ambiente de taxas de juro muito baixas, que cria incentivos para uma maior exposição ao risco na busca de rendimento.

Um exemplo é a sobrevalorização do mercado acionista e de outros tipos de ativos, como a dívida de empresas de risco elevado, a que estão expostos alguns fundos de investimento. São exemplos de ativos cujos preços estão desajustados face ao seu valor fundamental.

No caso do risco que coloca a sobrevalorização existente no imobiliário residencial, o Banco de Portugal aponta que “os novos créditos à habitação aceleraram no terceiro trimestre de 2019”, aumentando 5,1% embora o stock de crédito continue a cair, à medida que empréstimos mais antigos são liquidados.

Também ressalva que os novos créditos ao consumo cresceram 11,6% no terceiro trimestre, “com um contributo dominante do crédito pessoal (9,2%), interrompendo o abrandamento observado desde meados de 2018”.

O cenário de baixas taxas de juro tem afetado a rentabilidade dos bancos que têm aumentado a concessão de crédito para obter mais receita, o que tem levado a uma descida dos spreads no mercado.

Em anteriores crises financeiras, envolvendo o mercado imobiliário, também se registou um aumento do crédito que, por sua vez, validou o aumento dos preços das casas.

Mas o supervisor bancário adianta que os novos empréstimos à habitação têm sido concedidos a famílias com menor risco, em resultado das medidas que o Banco de Portugal recomendou ao setor em 2018 para travar a concessão de crédito de maior risco.

O elevado nível de liquidez na banca também tem levado os bancos a investir em dívida soberana. No primeiro semestre deste ano, a carteira de dívida pública passou a representar 16% do total do ativo dos bancos, contribuindo em 1,1 pontos percentuais para o crescimento de 3% do ativo total do sistema bancário.

A exposição dos bancos em Portugal a dívida soberana está em máximos desde, pelo menos, 2013. Os bancos têm comprado mais dívida soberana portuguesa, que já representa 9% do ativo. Mas os bancos estão também expostos a dívida soberana de Espanha e de Itália, entre outras.

“A modalidade dominante de gestão da carteira de dívida pública – justo valor com impacto em capital’ – vem acentuar a exposição à volatilidade do risco de mercado, uma vez que, a componente avaliada a justo valor representa 10,9% do total do ativo e 68% do total de títulos de dívida pública”, alerta.

Outros riscos

A digitalização do setor financeiro com a entrada no mercado de novos rivais digitais também é um risco, nomeadamente “a potencial concorrência das BigTechs”, como Google, Facebook, Apple e Amazon.

“As instituições de crédito devem, assim, prosseguir uma política cautelosa de distribuição de dividendos num contexto de incerteza acrescida sobre a evolução da atividade económica e de sobrevalorização dos preços do imobiliário residencial”, frisa.

O Banco de Portugal lembra que existe uma “intensificação da interligação entre os riscos macroeconómicos e geopolíticos”, como é o caso das tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China e o Brexit – a saída do Reino Unido da União Europeia, um processo que está em curso.

“As instituições de crédito deverão continuar a melhorar a sua eficiência através da contenção dos custos operacionais, mas também ajustar os seus modelos de negócio, em particular por via do investimento em digitalização, de forma a manterem-se tecnologicamente eficientes e competitivas”, adianta o Relatório.

“Este processo ganha importância face à entrada de novos participantes na atividade financeira, não devendo colocar em causa funções de gestão de riscos e de controlo interno, nomeadamente de branqueamento de capitais, de financiamento de terrorismo e de ciber-riscos”, frisa.

Os bancos vão também ter de continua a reduzir o seu nível de crédito malparado, ” dado que o rácio se mantém elevado no contexto europeu, apesar da redução acentuada observada desde meados de 2016″, adianta o documento.

Destaca que o elevado nível de endividamento em Portugal constitui um risco para o setor financeiro caso ocorra uma nova crise. O Banco de Portugal recorda que a dívida nominal das famílias e empresas aumentou ligeiramente no primeiro semestre deste ano face ao final de 2018 e que os valores da poupança continuam a reduzir-se, atingindo os 3,8% do rendimento disponível nos particulares, “um dos valores mais baixos da série histórica”.

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