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Berardo diz que não pediu condecorações e que perdê-las “é um descanso”

Joe Berardo na II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco, na Assembleia da República. Fotografia: António Cotrim / LUSA
Joe Berardo na II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco, na Assembleia da República. Fotografia: António Cotrim / LUSA

Conselhos das ordens abriu processo disciplinar na sexta-feira para decidir retirada de insígnias ao empresário.

José Berardo reage com indiferença à possibilidade de perda de ordens honoríficas por conta do comportamento do empresário durante o testemunho na comissão de inquérito à gestão e recapitalização da Caixa Geral de Depósitos na Assembleia da República.

“Eu não pedi nenhuma condecoração. Eu não tenho só essas, eu tenho nove. Não pedi nada disso, nem tive influência. Eles deram-me por serviços à comunidade. Se eles quiserem… olhe, é um descanso”, disse Berardo, citado pelo jornal Sol.

José Berardo recebeu em 1985 o grau de comendador da Ordem Infante D. Henrique, e em 2004 a Grã-Cruz da mesma ordem, dos ex-presidentes Ramalho Eanes e Jorge Sampaio, respetivamente.

O Conselho das Ordens Nacionais anunciou ontem a abertura de um processo disciplinar por eventual violação dos deveres da ordem, que incluem prestigiar Portugal e proceder com virtude e honra.

Na comissão parlamentar de inquérito que analisa os créditos concedidos pela CGD, José Berardo não ter dívidas, “pessoalmente”, ao banco público, ainda que Fundação Berardo e Metalgest devessem 320 milhões de euros à Caixa no final de 2015 – maior parte dinheiro usado para financiar a compra de ações do BCP.

“Não ia arriscar a minha vida numa coisa que é um investimento”, disse ainda, rindo perante uma pergunta sobre a possibilidade de perder o controlo da Associação Coleção Berardo.

A prestação do empresário perante os deputados foi considerada “matéria relevante” para o processo disciplinar iniciado.

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