Coronavírus

Bill Gates critica Trump. “Suspender apoio à OMS é perigoso”

Bill gates coronavirus em casa
Bill Gates (Twitter)

O co-fundador da Microsoft e filantropo Gates defendeu trabalho da Organização Mundial de Saúde. Guterres também critica decisão de Trump

Não é habitual Bill Gates, cada vez mais conhecido e referenciado como especialista em saúde pública e filantropia (e menos como fundador da Microsoft e homem mais rico do mundo), fazer críticas a decisões políticas. Mas aconteceu e Donald Trump não foi poupado.

O Presidente dos Estados Unidos anunciou ontem à noite que vai suspender a contribuição do país à Organização Mundial da Saúde (OMS). Após um fim de semana de muitas críticas à sua administração e da revelação de reportagens, do Washington Post ao New York Times, com relatos de que Trump terá ignorado inicialmente alguns dos avisos dos especialistas norte-americanos, o presidente não só voltou a criticar a OMS como anunciou oficialmente a suspensão do apoio do país ao organismo justificando a decisão com a “má gestão” da pandemia de covid-19.

No Twitter, Gates foi claro: “interromper o financiamento da Organização Mundial da Saúde durante uma crise mundial de saúde é tão perigoso quanto parece”. E o co-responsável da Fundação Bill & Melinda Gates, que investiu já 36 mil milhões de dólares em projetos de saúde pública, educação e fome a nível mundial, defende mesmo a OMS.

“O trabalho deles está a diminuir a propagação da covid-19 e, se esse trabalho for interrompido, nenhuma outra organização poderá substituí-los. O mundo precisa da OMS, agora mais do que nunca”.

Nas últimas semanas a fundação de Gates começou a aplicar 100 milhões de dólares para desenvolver medicamentos e vacinas contra a covid-19, permitindo a criação rápida de fábricas a postos para produzir rapidamente a vacina que se revele eficaz e, assim, “salvando vidas”: “isto porque os governos demoram mais tempo a atuar e o nosso dinheiro é aplicado de imediato”.

Os EUA, numa lógica relacionada com o tamanho da sua economia, a maior do mundo, apoia a OMS com um valor entre os 400 e os 500 milhões de dólares por ano, a maior contribuição mundial, explicou o presidente dos EUA. Trump voltou a criticar os elogios feitos pelo organismo que tem sede na Suíça à forma como a China lidou com a crise pandémica.

Em mais um dos boletins diários (cuja duração tem oscilado entre 1h30 e 2h, com várias trocas de palavras acaloradas com os jornalistas presentes) sobre a situação da pandemia nos EUA, desta vez sem a presença do maior especialista do país em doenças infeciosas, Anthony Fauci, Donald Trump disse mesmo que a OMS “ocultou informação”.

O presidente norte-americano diz mesmo que a organização “não fez o seu trabalho para avaliar a situação real na China nem acusou o país de falta de transparência como devia”, “se o fizesse o surto podia ter sido contido na fonte e com poucas mortes”.

As ameaças de suspensão de apoio às várias instituições mundiais, da NATO à ONU, têm sido frequentes durante a administração de Trump e para o orçamento previsto para o ano fiscal de 2021, indica a CNN, já estava previsto uma redução da contribuição para a OMS em 65 milhões de dólares.

Em sentido contrário, o Reino Unido anunciou há uns dias o aumento da sua contribuição para a OMS em adicionais 75 milhões de euros.

Entretanto, a ONU através do seu secretário-geral, o português António Guterres, já reagiu indicando “que esta não é altura” para reduzir os fundos à OMS e a qualquer organização a lutar contra a pandemia. “Esta é a altura para unidade da comunidade internacional no trabalho conjunto de solidariedade para parar o vírus e as suas consequências enormes”.

Um cientista e colaborador da revista Science, Kai Kupferschmidt, comparou a decisão com suspender o trabalho dos bombeiros quando tentam salvar uma casa das chamas:

“Não temos rei nos EUA”

Mas nos Estados Unidos as maiores críticas, inclusive de governadores do próprio partido Republicano, foram direcionadas a palavras ditas no primeiro boletim diário da task force contra a pandemia da semana, na segunda-feira (enfatizadas ontem à noite). Trump admitiu que está ansioso por reabrir a economia dos EUA por decreto presidencial, eventualmente já a 1 de maio e declarou “quando alguém é o presidente dos Estados Unidos, a autoridade é total”.

A frase suscitou críticas e esclarecimentos constitucionais que indicam que a autoridade sobre a decisão de reabrir é de cada um dos 50 estados, ou seja, dos governadores. O governador do estado de Nova Iorque, Andrew Cuomo, disse mesmo à NBC: “Temos uma constituição… não temos um rei… o presidente não tem autoridade total”.

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