Investimento

Brexit trouxe para Portugal 22 empresas britânicas em dois anos

Bernardo Trindade, responsável pela 'Portugal In'
Bernardo Trindade, responsável pela 'Portugal In'

A missão Portugal In está a trabalhar com as autoridades para instalar um balcão Brexit no espaço Empresa na Hora.

A saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit) está a levar muitas empresas britânicas a procurarem outras paragens para desenvolverem os seus negócios. Só nos últimos dois anos, entre 2017 e 2018, Portugal atraiu 22 empresas britânicas de várias áreas de atividade. É um total de 26 projetos de investimento, num valor que ronda os 460 milhões de euros. Ao todo foram criados 1400 postos de trabalho. Os números são do Observatório de Investimento Direto Estrangeiro do Financial Times e mostram que o Reino Unido foi, no ano passado, já o principal emissor de investimento direto estrangeiro em Portugal.

Bernardo Trindade, líder da missão Portugal In, defende que há ainda um conjunto de iniciativas que são importantes para continuar a piscar o olho aos britânicos que possam querer vir para Portugal. “A Empresa na Hora [que permite a constituição de uma sociedade num único balcão de forma imediata] para uma empresa portuguesa faz-se muito rapidamente; uma estrangeira – não necessariamente inglesa – que queira adotar o mesmo regime tem dificuldades.

O que estamos a trabalhar com o IRN é a instalação de um balcão Brexit no espaço Empresa na Hora”, revelou ao Dinheiro Vivo o líder da task force criada com o objetivo de captar investimento direto estrangeiro para o país na sequência da decisão de Londres de sair da UE. A expectativa é que este alargamento a empresas estrangeiras possa estar disponível ainda este ano.

Mas há já trabalho de casa feito. O governo lançou uma campanha para mostrar Portugal como um destino que acolhe bem os turistas britânicos – o principal mercado emissor para Portugal. “Há outra matéria mas essa está implementada: o reconhecimento dos títulos de residência para os trabalhadores e empresas inglesas que se queiram instalar em Portugal”. Ao mesmo tempo, colocou no terreno um plano de contingência para acautelar a saída do Reino Unido do bloco económico, que conta, por exemplo, com uma linha de crédito, no valor de 50 milhões de euros, para que as empresas exportadoras nacionais expostas ao mercado britânico se possam adaptar à nova realidade.

O referendo que ditou a saída do Reino Unido da União Europeia teve lugar em junho de 2016. Mas o impasse tem marcado as negociações entre Londres e Bruxelas e o documento já foi sujeito a votação três vezes no Parlamento britânico sem que tenha merecido a aprovação. A primeira-ministra britânica viu-se forçada a pedir um novo adiamento do Brexit, agora até ao final de junho deste ano.

O antigo secretário de Estado do Turismo não esconde que “indefinição não rima com confiança, essencial ao investimento”. Mas os últimos dois anos mostram que tem existido uma separação clara entre o que é a economia e a política “e o que é facto é que a economia tem prevalecido. Os números mostram que o Reino Unido voltou a ser o principal emissor de investimento direto estrangeiro em Portugal”.

Bernardo Trindade está confiante que Portugal está no bom caminho para continuar a despertar interesse dos britânicos. “Portugal tem uma relação secular com o Reino Unido e quer manter essa relação de enorme proximidade, em especial para determinados setores de atividade”. Tecnologia, imobiliário, turismo e farmacêuticas estão na linha da frente dos investimentos britânicos em Portugal.

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