Eleições legislativas 2019

Centeno. “No programa do BE passamos do fazer acontecer para fazer desaparecer”

O ministro das Finanças, Mário Centeno, discursa na  Convenção Nacional do PS a decorrer no Pavilhão Carlos Lopes, Lisboa, 20 de julho de 2019.  O Partido Socialista apresenta as suas propostas para as eleições legislativas de outubro, como conclusão das sessões organizadas sob o lema "Porque #TodosDecidem". MANUEL DE ALMEIDA/LUSA
O ministro das Finanças, Mário Centeno, discursa na Convenção Nacional do PS a decorrer no Pavilhão Carlos Lopes, Lisboa, 20 de julho de 2019. O Partido Socialista apresenta as suas propostas para as eleições legislativas de outubro, como conclusão das sessões organizadas sob o lema "Porque #TodosDecidem". MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

O ministro diz que só para financiar as medidas do Bloco para a saúde, investimento e cultura era preciso "duplicar" a receita IRS.

Mário Centeno atacou o programa eleitoral do Bloco de Esquerda, afirmando que “os mais de 30 mil milhões de euros de despesa que o Bloco de Esquerda não estão no programa eleitoral do PS nem no Programa de Estabilidade do governo.”

Numa sessão para apresentação das contas do programa eleitoral, Centeno apenas deixou de fora o PCP, nunca referido durante a conferência de imprensa. O ministro das Finanças e candidato do PS pelo círculo de Lisboa concentrou-se nas medidas propostas pelo BE, dizendo tratar-se de uma “situação mais radical” quando comparando com o programa do PSD.

Centeno referiu-se em concreto a três áreas nas propostas do BE: saúde, investimento público e cultura. “São mais 15 mil milhões de euros em 2023”, afirmou o ministro, sublinhando que para financiar a medida, seria necessário “duplicar o que cada um de nós paga de IRS nesse ano”, afirmou.

“Não há cobertura para estes pedidos e não há contas certas nestas contas”, concluiu Centeno.

O candidato do PS e um dos responsáveis pelo programa do partido referiu que o “BE propõe-se, por exemplo, aumentar 8% da despesa com saúde”, que nas contas do ministro representam mais “mais 8,5 mil milhões” em 2023., prosseguindo que o “BE propõe aumentar o investimento publico para 6 mil milhões e o orçamento da cultura em 1% do PIB, mais mil milhões em 2023”, referiu.

“Para termos uma ideia, teríamos que duplicar o que cada um de nós paga de impostos em IRS e pedir emprestado.”

PSD pede um “cheque sem cobertura”
O programa eleitoral do PSD foi o primeiro alvo das críticas do ministro das Finanças, afirmando que os sociais-democratas estão a “pedir aos portugueses um cheque sem cobertura”, referindo-se à redução fiscal de 3,7 mil milhões de euros.

Um “choque fiscal” que Centeno acredita que não iria funcionar, lembrando proposta idêntica feita pelo PSD em 2004. E ficou a garantia de cumprir as medidas, mesmo perante uma crise.

CDS faz desaparecer mil milhões
Em relação ao CDS, Mário Centeno referiu que o partido quer utilizar um “excedente que ainda não existe”.

“Em 2023 o excedente chegaria para financiar 960 milhões de euros de redução de impostos e os 15% da redução do IRS custam mais de 2,5 milhões de euros. O CDS faz desaparecer mil milhões de euros”, calcula o candidato a deputado.

“Se fizermos as contas, significa colocar o défice ao nível de 2017. De uma vez só andamos 6 anos para trás”, concluindo que “nada disto é sustentável.”

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