Energia

Chile: Tanta produção solar que a energia já é grátis

Painéis de energia solar

Durante 113 dias, até abril, a energia transaccionada no mercado grossista no Chile esteve a zero. Consumidores não sentem impacto.

Quando as energias renováveis produzem muito, mas não há consumo suficiente, os preços da energia que está a ser produzida descem muito e, em alguns casos, podem chegar a custar zero nos mercados grossistas, ou seja, numa espécie de bolsa onde se compra e vende eletricidade.

Isso já aconteceu em Portugal e, recentemente, aconteceu na Alemanha e no Chile, país onde isto é também uma tendência.

Segundo noticia a Bloomberg, que cita fonte da operadora das redes elétricas do Chile, até abril já se registaram 113 dias em que a energia esteve a zero. Já o ano passado, isto tinha acontecido durante 192 dias, ou seja, este ano pode mesmo ser ainda mais.

Em causa está precisamente o facto de o consumo estar a descer, mas de as renováveis estarem a produzir muito, principalmente as centrais solares que aumentaram muito nos últimos anos. No total, foram instaladas 29 centrais e ainda estão mais 15 planeadas. Tudo por causa do boom da indústria mineira e do crescimento da economia, que estão agora em fase descendente.

Além disso, acresce ainda que o Chile tem uma infraestrutura deficiente, ou seja, não tem linhas que cheguem para distribuir toda essa eletricidade que está a ser produzida.

O problema é que os consumidores não sentem diretamente o impacto desta situação, porque o preço da energia que é cobrada é um valor fixo que já incluiu este risco. O que, aliás, também acontece em Portugal. Além disso, isto é mau para as donas das centrais, que não conseguem gerar receitas para cobrir os investimentos feitos, e é ainda mau para os investidores que não conseguem financiamento para novos projetos.

“Os investidores estão a perder dinheiro. O crescimento estava todo desordenado. Não podem haver tantos desenvolvimentos no mesmo sítio”, disse à Bloomberg o CEO da unidade da Acciona no Chile, Rafael Mateo. A empresa está a investir 343 milhões num projeto de 247 MW.

Por outro lado, esta situação – que é já comum em vários países – vem provar que as renováveis são cada vez mais uma alternativa às tradicionais energias fósseis mais poluentes, como o carvão, o gás ou cada vez menos usado fuel.

 

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