Mobile World Congress

Colmeias com sensores e realidade simulada: chegou o 5G

(Foto: Ana Rita Guerra)
(Foto: Ana Rita Guerra)

No Mobile World Congress Americas, em Los Angeles, as operadoras norte-americanas tomaram a dianteira no 5G

“Ponha aqui o dedo”, indicou Michael Kuczura, gestor da Nokia. “Vai sentir a rugosidade do terreno à distância.” O pequeno robô que a empresa está a demonstrar no Mobile World Congress Americas, em Los Angeles, devolve uma sensação háptica ligada a localizações remotas. Por exemplo, explicou Kuczura, um trabalhador pode fazer inspeções de terreno sem ter de ir ao local, usando o robô, sensores e visão por computador num sistema que só funciona com muito baixa latência. É aí que entra o 5G: a rede de nova geração vai permitir esta e milhares de outras inovações que vão tocar todos os mercados e gerar tendências que ainda nem foram imaginadas.

“O 5G é um facilitador”, afirmou o presidente da Verizon Wireless, Ronan Dunne, durante a sua apresentação no MWC Americas. “Vai tornar possível a inteligência artificial, a analítica profunda, a capacidade de ter conectividade ubíqua.”

Depois de anos de testes e promessas de velocidades estonteantes, a operadora será a primeira a ativar os primeiros serviços residenciais de 5G em quatro cidades norte-americanas: Houston, Indianapolis, Sacramento e Los Angeles. Foi precisamente em LA que a Verizon anunciou o início da operação da sua rede 5G, que será ligada dentro de duas semanas, a 1 de outubro. A novidade fez ondas durante o Mobile World Congress, que termina hoje a sua segunda edição americana.

Embora a primeira rede comercial 5G do mundo tenha sido lançada na Finlândia e Estónia no final de junho, o seu lançamento no gigantesco mercado dos Estados Unidos é um tremendo salto para a próxima geração, cuja massificação se espera para 2020. Só a Verizon Wireless, a maior operadora do país, tem 152,7 milhões de assinantes, seguida da AT&T com 147,3 milhões, T-Mobile com 75,6 milhões e Sprint com 53,7 milhões de clientes.

Inovações no terreno

No Mobile World Congress Americas, que levou 22 mil pessoas ao Los Angeles Convention Center, o foco esteve todo em cima do 5G e do que as altas velocidades e baixa latência vão permitir fazer. Um exemplo é o carregador de baterias elétricas autónomo da FreeWire Technologies: um veículo que procura os carros elétricos no parque de estacionamento e vai até eles para carregar a bateria. O sistema está a ser testado no parque do aeroporto JFK, em Nova Iorque, e depende da rede 5G da Sprint e da tecnologia de microposicionamento a que a operadora chama de “GPS das Coisas”. A empresa pretende lançar a sua rede 5G na primeira metade de 2019.

De mãos dadas com o 5G, as aplicações de Internet das Coisas também estiveram em destaque no MWC. A NimbeLink e a Bee Corp mostraram uma colmeia de 40 mil abelhas equipada com um sistema que permite monitorizar a sua localização, temperatura, humidade e movimento. Uma forma de rastrear a saúde da colmeia (e a sua segurança, já que os furtos são uma preocupação dos agricultores) de forma remota, baseada em sensores e protocolos de comunicação que até há pouco tempo não estavam disponíveis.

Já a Ericsson, uma das protagonistas no desenvolvimento da nova geração, mostrou a qualidade da transmissão de “televisão imersiva” através de 5G e o IoT Accelerator Test Cube, que permite às empresas testarem rapidamente novas aplicações de Internet das Coisas sem correrem riscos.

Uma das inovações mais interessantes mostradas na exposição foi o trabalho da SenSat, uma startup baseada em Londres que está a desenvolver um sistema para “ensinar os computadores a entenderem o mundo físico.” Segundo explicou o CEO James Dean, trata-se de “realidade simulada.” A empresa usa zeros e uns para “traduzir” o mundo físico a sistemas inteligentes. “A inteligência artificial vive no mundo digital, e nós damos-lhe réplicas digitais dos locais”, explicou o responsável. O objetivo é ajudar os computadores a resolverem os problemas do mundo real usando uma recriação virtual incrivelmente detalhada, com a missão de “digitalizar o mundo.”

O Mobile World Congress Americas termina hoje em Los Angeles, para onde se mudou depois de uma primeira edição em São Francisco. Segundo a GSMA, a associação que reúne centenas de operadores de telecomunicações de todo o mundo, a ida para LA prende-se com o maior foco nas indústrias de média e entretenimento, onde o 5G terá impacto abrindo a possibilidade de transmissões ao vivo em 4K, realidade virtual e para todo o tipo de dispositivos. O MWC Americas regressa em outubro de 2019, depois do evento principal em Barcelona (fevereiro) e do congresso virado para a Ásia, em Xangai (junho).

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