Opinião

Comunicação autárquica salva vidas em tempos de covid-19

João Santos COO YN Group

Não nos podemos esquecer que as autarquias comunicam para munícipes dos 8 aos 80, com e sem acesso a ferramentas digitais.

Um dos principais desafios que a covid-19 trouxe à sociedade é a forma como o governo, entidades de saúde pública e autarquias prestam serviços e comunicam com os cidadãos, quer na fase inicial quer agora de desconfinamento.

Já muito se escreveu sobre a comunicação do governo e das entidades de saúde pública, mas apesar de as autarquias terem um papel fulcral no terreno, muitas vezes não têm estado dotadas dos recursos humanos, financeiros e tecnológicos para conseguir ter uma comunicação eficaz com os seus munícipes. É por isso fundamental que continuem a rentabilizar os seus recursos da forma mais cirúrgica e prática possível, desde logo mantendo clara a tipologia dos seus munícipes e quais os canais de comunicação que têm sido mais eficazes para atingir cada uma. Analisar também em permanência as autarquias circundantes e aquelas que se consideram ser as melhores a agir e comunicar no terreno desde o início.

Tendo a base atrás é preciso ir definindo objetivos e mensagens simples que se quer transmitir. Se numa primeira fase foi a salvaguarda de todos nas suas casas, agora há que perceber como agir face ao desconfinamento para evitar novas vagas e surtos.

A comunicação no terreno com os munícipes deve manter sempre a regra basilar dos 3 C: clara, curta e concisa. Não pode haver comunicações dúbias, complexas, demasiado longas ou não factuais. Não nos podemos esquecer que as autarquias comunicam para munícipes dos 8 aos 80, com e sem acesso a ferramentas digitais.

A antecipação e a proatividade são as duas palavras fundamentais no dia-a-dia. É preciso continuar-se muito atento ao que se está a passar no país e no resto do mundo e ter já preparadas comunicações para as eventuais situações de crise, mas também para as situações positivas das próximas etapas de desconfinamento, para que estas corram da melhor forma.

Os dois pilares centrais da comunicação autárquica neste período devem manter-se, primeiro e a 80% na prestação da informação mais útil aos munícipes sobre esta epidemia e como agir perante cada fase do processo em que nos encontramos. Segundo, na normalização da vida dos munícipes, fazendo ações de comunicação que tragam alguma normalidade e a tranquilidade possível.

Não existem suportes perfeitos de comunicação autárquica em tempos de covid-19 porque tudo depende da tipologia dos munícipes, do contexto de cada concelho e de cada freguesia e de toda a comunicação diária do município. Todavia, é possível registar o impacto de cada suporte, nosso, no município ao lado ou até no setor privado. Um excelente contributo a este nível, e a outros, é o estudo “Covid-19 – The Day After Autarquias” que acaba de sair em que 92% dos municípios portugueses indicam recorrer a comunicação digital e apontam para uma elevada utilização do email (84%) e razoável do Facebook (64%), e não descuram o telefone (76%) como meio crítico por causa da população mais envelhecida. Neste estudo, afirmam também estar a trabalhar em ferramentas de comunicação para o pós-covid-19 (95%).

Revela-se ainda essencial a manutenção da aposta, orgânica e paga, nos meios de comunicação social locais e nacionais com que se trabalha o ano inteiro e que neste contexto continuam a prestar um serviço crítico de amplificação das mensagens de cuidados e processos adequados ao desconfinamento.

Este é claramente o momento para as autarquias promoverem a digitalização das suas relações com os munícipes, de a tornarem mais simples e prática seja através do site, aplicações ou redes sociais. Das divisões de comunicação, gabinetes de apoio à presidência e demais áreas de uma autarquia, diretamente ou com auxílio de parceiros especializados em comunicação autárquica, criando uma infraestrutura de comunicação altamente eficaz e eficiente que sirva este contexto e em futuros, altamente desafiantes.

Cada comunicado de imprensa, cada post no Facebook ou cada discurso do presidente de Câmara são críticos. Mais do que nunca está nas mãos da comunicação autárquica salvar vidas.

João Santos, diretor de operações, especialista em Administração Pública e Public Affairs do YoungNetwork Group

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