Energia

Contadores inteligentes acabam com estimativas na conta da luz

Foto: Paulo Spranger
Foto: Paulo Spranger

A introdução das novas regras será gradual, havendo uma fase inicial de implementação, transitória, até 31 de dezembro de 2020, diz a ERSE

A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos estabeleceu o dia 1 de janeiro de 2021 como data limite em que “os sistemas inteligentes devem passar a uma nova fase com os serviços completos das redes inteligentes”. Ou seja, a partir desta altura os contadores inteligentes já devem estar aptos a comunicar à rede os consumos reais dos consumidores e as comercializadores deixam de poder enviar faturas com base em estimativas, quase sempre contestadas pelos clientes.

Esta e outras regras estão espelhadas no Regulamento dos Serviços de Redes Inteligentes de Distribuição de Energia Elétrica, que a ERSE aprovou e publicou esta semana, e “que enquadra a prestação dos serviços no âmbito das redes inteligentes por operadores de rede e comercializadores”.

Diz o regulador que “a introdução das novas regras será gradual, havendo uma fase inicial de implementação, transitória, que se estende até 31 de dezembro de 2020”. A ERSE reconhece que “no imediato, as redes inteligentes não serão uma realidade universal no território, pelo que o cuidado com o serviço prestado aos restantes consumidores continua a ser uma prioridade da ERSE. O acesso aos consumos detalhados do consumidor só se fará com o seu consentimento, no caso das pessoas singulares, de acordo com as regras de proteção de dados pessoais”.

Aos operadores da rede de distribuição em baixa tensão, o regulador promete “um incentivo baseado na partilha de benefícios explícitos para os consumidores, gerados pelos serviços das redes inteligentes. Apenas os operadores de redes que proporcionem aos consumidores os serviços definidos terão o incentivo ainda a definir”.

A EDP Distribuição concorda e fonte oficial tinha já dito ao Dinheiro Vivo que “a instalação deste tipo de equipamentos e infraestruturas requer um grande esforço de investimento, pelo que a cadência de instalação pode ser influenciada pelos incentivos para a construção de redes inteligentes em Portugal”.

No entanto, as previsões de datas da ERSE chocam com o último ponto de situação feito pela EDP Distribuição ao Dinheiro Vivo. De acordo com o operador de redes de baixa tensão, “atualmente já 70% do consumo de energia é recolhido por telecontagem”, ou seja, remotamente. “Todos os clientes empresariais alimentados em alta, média e baixa tensão especial, bem como todos os circuitos de iluminação pública (cerca de 60 mil), já têm instalados contadores inteligentes No caso dos clientes residenciais, a EDP Distribuição instalou até à data mais de dois milhões de Energy Box”, refere fonte oficial.

A manter-se a cadência atual, garante a empresa, só em 2025 a totalidade da base de consumidores domésticos de energia no país (cerca de seis milhões) poderá estar abrangida por contadores inteligentes. Ou seja, a menos de seis anos de distância desta meta, hoje apenas um terço dos consumidores residenciais têm ao seu dispor a nova geração de contadores digitais (por oposição aos antigos, analógicos). Falta ainda a instalação de cerca de quatro milhões de contadores inteligentes em Portugal (os restantes dois terços).

Até dezembro de 2018 a EDP Distribuição já investiu, cerca de 550 milhões de euros em redes inteligentes de distribuição de eletricidade em Portugal. Do plano de digitalização em curso no Grupo EDP – 800 milhões até 2022 -, “cerca de 280 milhões de euros serão direcionados para as redes inteligentes”, que incluem os contadores inteligentes e toda a infraestrutura de suporte, nomeadamente a nível de comando de rede e telecomunicações.

Ainda que ambiciosas, as metas da EDP Distribuição já derraparam pelo menos três anos. Isto porque em março de 2018 o presidente da empresa, João Torres, garantia ao Dinheiro Vivo a ambição de até 2022, no máximo, ter 100% dos consumidores de eletricidade abrangidos. Nessa altura a EDP Distribuição estava a instalar, em média, dez mil novos contadores por semana.

Mas tão importante como instalar milhões de contadores inteligentes é pô-los a comunicar autonomamente com a rede e a enviar dados e leituras dos consumos, o que em muitos casos ainda não acontece. Dos 2,3 milhões de contadores instalados pela EDP, só 1,8 milhões estão ligados a redes inteligentes.

De acordo com o comunicado da ERSE, a regulamentação aprovada, após um processo de Consulta Pública, promove a introdução de soluções inovadoras e avançadas de medição, recolha e tratamento de dados de consumo e de produção nas redes de baixa tensão (BT), como forma de integrar a evolução tecnológica e de acomodar no sistema elétrico, ao menor custo, as situações emergentes como a produção distribuída ou o carregamento de veículos elétricos.

“O novo quadro regulamentar implicará uma adaptação às regras por parte dos vários prestadores de serviços, a começar pelos operadores das redes de distribuição, permitindo aumentar a concorrência no mercado retalhista e a prestação de novos serviços aos consumidores. As funcionalidades das redes inteligentes possibilitam fazer leituras à distância (sem recurso a funcionários dos operadores das redes ou do cliente), assim como realizar outras operações à distância como a alteração da potência contratada”, explica a ERSE.

E confirma que a disponibilização destes serviços aos consumidores “depende da pré-existência das infraestruturas das redes inteligentes, sejam os contadores inteligentes, sejam os sistemas de comunicações e de tratamento dos dados de energia”.

As regras agora aprovadas pelo regulador aplicam-se em todo o território nacional, nas redes de Baixa Tensão (BT), aos operadores de rede, aos comercializadores, aos consumidores ou clientes, ao Operador Logístico de Mudança de Comercializador, a entidades terceiras autorizadas pelo titular da instalação e a produtores cujas instalações estejam ligadas nas redes de distribuição em baixa tensão.

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