Greve dos motoristas

Costa: Houve “instrumentalização” dos motoristas para “promover um candidato”

(PAULO CUNHA/LUSA)
(PAULO CUNHA/LUSA)

Primeiro-ministro alega que comunicação social se dedicou a "promover e a levar ao colo" Pedro Pardal Henriques, o agora candidato do PDR.

António Costa considera que a greve dos motoristas de matérias perigosas revelou uma “instrumentalização” de trabalhadores em prol de um candidato e, simultaneamente, uma “ingenuidade” por parte da comunicação social.

“Manifestamente tivemos aqui um caso onde houve uma instrumentalização de um conjunto de trabalhadores para a promoção eleitoral de um candidato”, diz António Costa, que concedeu uma entrevista à Lusa na sua residência oficial, rodeado dos quadros da nova coleção de arte contemporânea e que será aberta ao público na próxima terça-feira.

Quando questionado se poderá haver objetivos políticos por trás desses movimentos ditos inorgânicos, o líder do executivo concorda: “Se retirar o ponto de interrogação que é inútil na sua pergunta, tem a resposta”.

Costa não deixa, contudo, de criticar a comunicação social, a qual acusa de “ingenuidade” no tratamento do tema: “acho absolutamente extraordinário, se me permitem, a ingenuidade com que a comunicação social se dedicou a promover e levar ao colo alguém que tem um currículo, quer junto dos nossos emigrantes em França, quer junto das empresas que dirigiu, quer da publicidade ilícita que faz à sua atividade”.

“Isso é que a mim me deixou perplexo, mas acho que seguramente a autorregulação da comunicação social há de ter tempo para refletir sobre a forma como tratou deste assunto”, destaca.

Quanto à greve em si, Costa afirma que “a atividade sindical é essencial a qualquer sociedade democrática”, e que não lhe compete a si dizer aos sindicatos como se orientam: “o Estado corporativo já está enterrado há muitos anos, e bem”, sublinhou.

O primeiro-ministro também considera que os acontecimentos demonstraram que “o país tem uma notável maturidade para poder viver conflitos que poderiam ter sido de enorme dramaticidade, com uma grande civilidade”.

“Foram dias em que se viveram muitos receios de que o país iria ficar paralisado e a verdade é que o país manteve no essencial o seu funcionamento normal, não obstante os constrangimentos que todos sofremos em consequência da greve, como é normal acontecer em resultado de uma greve”, diz o primeiro-ministro.

Tudo decorreu, na sua opinião, “respeitando o direito à greve de quem quis fazer greve, respeitando o direito ao trabalho de quem quis trabalhar e vendo os serviços mínimos no essencial cumpridos”.

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