Incêndios

Costa: “se quer ouvir-me pedir desculpas, eu peço desculpas”

costa

O primeiro-ministro, António Costa, pediu hoje desculpas pelas consequências dos incêndios, depois de desafiado pelo PSD, mas disse que utiliza a palavra “desculpas” na qualidade de cidadão, já que como chefe do Governo prefere assumir responsabilidades.

Leia também o artigo Ministra da Administração Interna abandona Governo


No debate quinzenal com o primeiro-ministro, o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, disse hoje que, como eleito e em nome da sua bancada, assumia a “responsabilidade política” e pedia desculpas aos portugueses, desafiando Costa a fazer o mesmo: “Senhor primeiro-ministro, já está em condições de pedir desculpa a todos o país?”.

“Não vou fazer jogos de palavras, se quer ouvir-me pedir desculpas, eu peço desculpas”, respondeu António Costa.

O primeiro-ministro salientou que, se não o fez antes, “não é por sentir menor peso” na sua consciência.

“No meu vocabulário reservo a palavra desculpa para a minha vida privada, enquanto primeiro-ministro uso a palavra responsabilidade e sempre disse que assumiria todas as que viessem a ser demonstradas”, disse.

António Costa disse ter a certeza que viverá com “o peso na consciência” pelos mais de 100 mortos nos incêndios deste verão, tal como ainda sente pelo inspetor da Polícia Judiciária que morreu quando era ministro da Justiça ou por agentes da PSP e bombeiros falecidos quando era ministro da Administração Interna.

“Eu não me escudo nos outros, assumo as minhas responsabilidades como primeiro-ministro e peço sempre desculpa como cidadão”, afirmou.

Na resposta, Hugo Soares saudou o pedido de desculpas, mas lamentou que só o tenha feito hoje.

“Deve e devia um pedido de desculpas ao país e já devia ter assumido a sua responsabilidade”, considerou.

As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram pelo menos 41 mortos e cerca de 70 feridos (mais de uma dezena dos quais graves), além de terem obrigado a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas.

O Governo decretou três dias de luto nacional, entre terça-feira e quinta-feira.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos este ano, depois de Pedrógão Grande, em junho, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou 64 vítimas mortais e mais de 200 feridos.

Estado assumirá responsabilidades pelas vítimas de Pedrógão Grande

O primeiro-ministro afirmou hoje que é “inequívoco” que houve falhas graves dos serviços do Estado no incêndio de Pedrógão Grande, em junho passado, cabendo como tal ao Estado assumir as responsabilidades perante as vítimas.

“Do resultado do relatório da Comissão Técnica Independente nomeada pelo parlamento é inequívoco que em diversos momentos e circunstâncias houve falhas graves dos serviços do Estado. Portanto, cumpre ao Estado assumir as responsabilidades perante as vítimas de Pedrógão Grande”, declarou o primeiro-ministro.

Na sua intervenção, o primeiro-ministro voltou a defender a necessidade de um consenso político alargado em relação às medidas a tomar para prevenir novos incêndios florestais com consequências trágicas, sustentando que agora “é hora de agir”.

“Já disse que o que importa fazer é transformar em programa de ação as conclusões que constam do relatório da Comissão Técnica Independente” sobre os incêndios de junho, razão pela qual foi convocado um Conselho de Ministros extraordinário para o próximo sábado.

De acordo com António Costa, “agora a pergunta não é o que fazer, mas agir”.

“Espero que o consenso que se gerou nesta Assembleia da República em torno da iniciativa do PPD/PSD para constituir a Comissão Técnica Independente possa suportar também um consenso alargado quanto às medidas que esta comissão propõe que nós adotemos”, afirmou.

PSD desafia primeiro-ministro a apresentar moção de confiança ao Governo, Costa rejeita

O líder parlamentar do PSD desafiou hoje o primeiro-ministro a apresentar uma moção de confiança ao Governo no parlamento, mas António Costa remeteu para a discussão da moção de censura do CDS-PP na próxima semana.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Francisco Pedro Balsemão, CEO do grupo Impresa. Foto: DR

Impresa.Reestruturação já atingiu 20 trabalhadores. E chegou ao Expresso

PCP

Subsídios por duodécimos no privado também acabam em 2018

Turistas no novo terminal de cruzeiros de Lisboa, Santa Apolónia. Fotografia: Gustavo Bom/Global Imagens

Instituto alemão prevê boom na construção em Portugal até 2020

Outros conteúdos GMG
Conteúdo Patrocinado
Conteúdo TUI
Costa: “se quer ouvir-me pedir desculpas, eu peço desculpas”