Coronavírus

Covid-19: Não é expectável 55 mil pessoas em Fátima, diz a DGS

Santuário de Fátima no dia 13 de agosto de 2020. (PAULO CUNHA/LUSA)
Santuário de Fátima no dia 13 de agosto de 2020. (PAULO CUNHA/LUSA)

A diretora-geral da saúde, Graça Freitas, disse hoje não parecer “expectável” que o santuário de Fátima tenha 55 mil pessoas nas cerimónias de 13 de outubro e disse que as autoridades nem foram contactadas sobre a matéria.

Em conferência de imprensa em Lisboa sobre a pandemia de covid-19, e a uma pergunta sobre como vê as dúvidas do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, sobre a possibilidade de estarem mais de 50.000 pessoas no Santuário em 13 de outubro, Graça Freitas respondeu que a Direção-Geral da Saúde (DGS) “não sabe de onde surgiu o número 55 mil”.

“Não nos chegou nenhum pedido de parecer, nenhum plano de contingência, nenhuma planta do Santuário, e portanto não nos parece expectável que, estando nós em situação de contingência, com uma epidemia a subir, e apesar de (nem) a DGS ou qualquer outra autoridade de saúde ter sido consultada sobre o assunto, não nos parece expectável 55 mil pessoas no santuário”, disse Graça Freitas.

Ainda assim a responsável disse ser uma apreciação precoce, porque a DGS aguarda “poder colaborar” e “ajudar o Santuário” sendo que para isso é necessário haver conversações e um plano de contingência.

Na terça-feira o Presidente da República disse temer que a perceção da sociedade sobre o 13 de outubro, em Fátima, com 50 mil pessoas, seja menos positiva do que a das autoridades envolvidas, perante o aumento de infetados por covid-19.

Sporting-Gil Vicente em análise

A DGS confirmou entretanto que a realização do jogo Sporting-Gil Vicente, da primeira jornada da I Liga portuguesa de futebol, ainda está em análise, face aos vários casos de covid-19 nas duas equipas, mas o campeonato não está comprometido e vai decorrer normalmente, mesmo que seja necessário adiar um dos jogos, admitiu.

“Os meus colegas do Gil Vicente e do Sporting estão a fazer tudo para ver se há condições para que o jogo se realize. Se acontecer, será sempre um adiamento do jogo e nunca a paragem da I Liga. Os restantes jogos realizar-se-ão. É um tema complexo, dado o número elevado de infeções nas duas equipas”, afirmou a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas.

Na conferência de imprensa regular de atualização dos números da covid-19 em Portugal, Graça Freitas lembrou que, “depois de o plano de retoma da época passada” ter sido delineado por DGS, Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Liga de clubes e clubes”, atualmente “as condições [para realização dos jogos] são avaliadas” pelas autoridades de saúde locais.

“Agora que evoluímos para outro patamar, com atividade desportiva mais alargada, as condições são avaliadas pela autoridade de saúde local. No entanto, quando existirem dúvidas, a autoridade local de saúde pode sempre reunir com a autoridade regional e a regional poderá reunir com a nacional”, referiu a responsável pela DGS.

Ainda sobre os potenciais contágios dentro das equipas, Graça Freitas desenvolveu a explicação: “Estamos a falar de surtos. Dentro de uma equipa, que inclui equipa técnica, jogadores e pessoal, vamos ter pessoas divididas em vários grupos: os infetados, que não poderão jogar; outros que estão em isolamento profilático, porque foram contactos de alto risco; e o restante ‘staff’, que não foi contacto ou contacto de alto risco, continua a fazer a sua vida normal.”

Face a uma eventual redução de 14 para 10 dias do período de quarentena a que os elementos das equipas têm de estar sujeitos, como acontece em França e como sugeriu a Liga de clubes, Graça Freitas respondeu de forma abrangente, sem nunca particularizar o futebol.

“Os 10 dias [de isolamento] são mais ou menos consensuais para as pessoas que foram positivas. Nesse periodo, é mais fácil seguirmos o percurso de alguém que testou positivo, do que o de uma pessoa que apenas é contacto com um positivo, que pode estar assintomática e que pode dar positivo ou negativo. Mesmo os franceses encurtaram esse periodo para sete dias em relação aos doentes. Já nos contactos dos doentes, testam ao sétimo dia, mas, se for negativo, só libertam a pessoa do isolamento ao 10.º dia”, explicou.

Desta forma, a “DGS e os seus peritos de infecciologia estão a observar os dias que passam entre o eventual contágio e o fim, para perceber se é possível encurtar o periodo de quarentena”, disse Graça Freitas, deixando uma certeza: “São decisões complexas e temos de tomá-las em segurança.”

Portugal contabiliza pelo menos 1.878 mortos associados à covid-19 em 65.626 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da DGS.

A nível mundial a pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 936.095 mortos e mais de 29,6 milhões de casos de infeção em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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