Comércio eletrónico

CTT e Sonae admitem no “futuro” entrada do marketplace em “nova geografias”

Fotografia: Direitos reservados
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Aposta em plataforma de comércio eletrónico surge num momento em que no mercado se fala de uma possível entrada da Amazon e Portugal

Portugal é o foco do marketplace no qual CTT e Sonae vão investir até 15 milhões de euros, mas os parceiros admitem, “no futuro” a entrada em novos mercados. Será esta uma resposta a uma possível chegada da Amazon? “Nosso modelo de negócio será distintivo e apresentará um posicionamento competitivo no mercado em que se insere”, garante fonte oficial da parceria.

“O negócio será focado no mercado nacional, no entanto o comércio eletrónico é por definição um mercado global, podendo estudar-se a entrada em novas geografias no futuro”, adiantou fonte oficial quando questionado sobre se as duas empresas, com presença em Espanha, admitiam apostar neste mercado.

O novo marketplace será um projeto em joint-venture entre as duas empresas que vão repartir, em partes iguais, um investimento entre 10 a 15 milhões de euros nos primeiros dois anos de operação. Os parceiros não revelam para quando antecipam um retorno de investimento, nem especificam em que área/produto o marketplace se irá focar. Este “será muito abrangente em termos de categorias de produtos”, diz fonte oficial.

A presença de marcas como Continente ou Worten, marcas Sonae com expressão no comércio online, no marketplace vai depender da estratégia definida pelas próprias empresas. “Os negócios Sonae (e por consequência, as suas marcas) são independentes e têm estruturas de gestão autónomas. Assim, poderão ou não integrar a plataforma caso considerem que esta apresenta uma proposta de valor alinhada com a sua estratégia, tal como qualquer outro retalhista/distribuidor no mercado.”

A nova aposta surge num momento em que a Amazon está às portas do mercado nacional e se fala de uma possível entrada da empresa de Jeff Bezos em Portugal, mas os parceiros rejeitam a ideia que isso tenha pesado na decisão.

“A Amazon já está presente em Portugal apesar de ainda não ter domínio português. Acreditamos que o nosso modelo de negócio será distintivo e que apresentará um posicionamento competitivo no mercado em que se insere”, frisa fonte oficial.

Um marketplace que, dizem, junta parceiros com “competências complementares”. “A Sonae tem um conhecimento profundo dos consumidores portugueses e um know-how comprovado na gestão e desenvolvimento de iniciativas de retalho e de comércio eletrónico, aportando competências e experiência importantes para o sucesso desta iniciativa”, refere fonte oficial.

“O estabelecimento de parcerias com players de referência, como é o caso, é uma estratégia que a Sonae tem vindo a seguir nos últimos anos e que se enquadra nos pilares estratégicos do grupo”, reforça.

Se a Sonae traz para a mesa o conhecimento dos consumidores, os CTT trazem o know-how “numa componente crítica da cadeia do e-commerce, que é a componente de distribuição e logística”.

Os parceiros não revelam, todavia, se esta nova parceria poderá levar a um reforço da área operacional de correio expresso e encomendas, num momento em que o operador postal tem em marcha até 2020 um plano de reorganização – que, entre outras medidas, passou pelo fecho de estações e saída de cerca de mil trabalhadores em três anos – para fazer face à quebra do tráfego postal que tem vindo a acelerar nos últimos trimestres e, consequente, perda de receitas uma área core da companhia.

A área de correio expresso e encomendas, pelo contrário, tem vindo a registar crescimentos. O ano passado os CTT transportaram 33,2 milhões de correio expresso e encomendas, dos quais 17,7 milhões em Portugal e 15,5 milhões em Espanha. Até março, as receitas desta área de negócio dos CTT cresceu 21,8%, para os 36,5 milhões.

“Este projeto é mais um passo na estratégia de crescimento na área de comércio eletrónico e no reforço da posição dos CTT no segmento Expresso & Encomendas, em linha com a estratégia de diversificação do negócio da empresa”, justifica fonte oficial da parceria esta aposta da empresa que, recorda, é “líder de mercado no segmento Expresso e Encomendas em Portugal”.

“Este projeto insere-se num dos pilares estratégicos dos CTT de crescimento, nomeadamente na alavanca de crescer acima do mercado nas encomendas e nos seus serviços de valor acrescentado, potenciando o ecossistema de ecommerce em Portugal. Apesar de ser uma entrada num novo negócio, uma componente muito importante desta operação é a distribuição e, portanto, os CTT entram também num mercado com uma parte que é o seu negócio core, as encomendas”, reforça.

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