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Dívida panda ainda é passo longínquo para as empresas

O presidente da China, Xi Jinping, fez uma visita de Estado a Portugal no final de 2018. Fotografia: Filipe Amorim/Global Imagens
O presidente da China, Xi Jinping, fez uma visita de Estado a Portugal no final de 2018. Fotografia: Filipe Amorim/Global Imagens

Portugal foi o primeiro país da zona euro a emitir dívida em moeda chinesa.

Já existem empresas europeias a aproveitar o mercado de dívida chinesa para se financiarem. O Estado português também desbravou esse caminho. Foi o primeiro soberano da zona euro a emitir obrigações panda. Colocou, nesta quinta-feira, 260 milhões de euros (dois mil milhões de renminbi) em títulos a três anos, com um juro de 4,09%. No entanto, a possibilidade de empresas portuguesas seguirem o mesmo caminho ainda está longe.

João Marques da Cruz, presidente da Câmara de Comércio Luso-Chinesa (CCLC), aponta impactos positivos na estreia de Portugal no mercado de obrigações panda. “Tudo o que seja um reforço da confiança do Estado chinês na economia portuguesa serve para atrair investimento”, afirma. Marques da Cruz, que é também administrador da EDP, realça que esta emissão é um sinal da confiança da China na economia portuguesa e um bom cartão-de-visita para ajudar a atrair mais investimento de empresas públicas e privadas chinesas.

Com a emissão desta semana, Portugal colocou um pé no terceiro maior mercado de obrigações do mundo. Apesar de já ter uma dimensão gigante, esse mercado ainda tem muito potencial para evoluir. E há empresas europeias, como a francesa Veolia Environnement e a construtora automóvel Daimler, que já se aventuraram na dívida panda apesar de os obstáculos que ainda existem para emitentes estrangeiros.

O presidente da CCLC considera que para as empresas portuguesas esse é um passo “mais longínquo”, dada a dimensão que é necessária para assegurar uma operação desse tipo.

O custo compensa?

Os custos da emissão têm sido alvo de críticas. O grupo parlamentar do PSD enviou ontem perguntas a Mário Centeno para perceber os motivos e os custos desta opção e houve economistas a classificar a operação como cara e arriscada. No mercado secundário, que serve como um barómetro de quanto o Estado teria de pagar para se financiar, a dívida em euros a três anos tem uma taxa de -0,239%. Os investidores aceitam perder dinheiro para deterem esses títulos.

Já a operação em renminbi teve uma taxa de cupão de 4,09%. O risco cambial fica protegido com a contratação de derivados de cobertura. Estes instrumentos têm custos associados mas podem ajudar a baixar o custo final da emissão e anulam o efeito das oscilações do renminbi. O Tesouro já fez operações desse tipo para anular o risco cambial dos empréstimos do FMI, que incluem também a divisa chinesa no cálculo da taxa de juro.

Apesar da dívida mais cara, o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, considerou ontem, citado pela Lusa, que a operação foi um “sucesso” e que tem “muita importância”.

Antes da emissão, o embaixador de Pequim em Lisboa, Cai Run, tinha afirmado que a operação resultava numa “cooperação mutuamente benéfica”. Para a parte chinesa significará “popularidade” e um contributo para o país “ser bem acolhido pela comunidade internacional”.

A China tem como objetivo a internacionalização e a maior influência do renminbi. Depois de Portugal, também Áustria e Itália querem avançar para as obrigações panda. Na Europa, Polónia e Hungria já tinham acedido a esse mercado. E já houve entidades públicas canadianas que também se renderam à dívida panda.

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