Coronavírus

Do uso de máscara aos resíduos. DGS lança manual com medidas para todos

DGS apresentou um manual sobre as melhores práticas em casa e na rua em tempo de desconfinamento mas onde se devem manter cuidados redobrados

A Direção-Geral de Saúde apresentou nesta quinta-feira um novo manual pormenorizado e pensado para a nova fase de desconfinamento. A ideia passa por instruir todos com respostas a muitas das perguntas feitas em torno do que é não aconselhável em tempos de pandemia de covid-19.

O slogan que tem marcado a atuação da DGS mantém: porque “todos somos um agente de saúde pública”. O manual tem o nome “Saúde e Atividades Diárias – Medidas gerais de prevenção e controlo da covid-19” e está disponível online em pdf. Resumimos de seguida algumas das medidas recomendadas atualmente sendo que, numa primeira parte, o manual se refere ao vírus em si e à sua forma de propagação. Da lista de sintomas estão a tosse, febre e dificuldade respiratória.

Sobre a forma de transmissão: “seja por contacto direito, por via de gotículas respiratórias, produzidas quando uma pessoa infetada tosse, espirra ou fala, ou indireto, quando há contacto das mãos com uma superfície ou objeto contaminado com SARS-CoV-2 e, em seguida, com a boca, nariz ou olhos.”

O manual manual tem medidas gerais e é depois completado “por vários volumes com medidas específicas a adotar em diferentes contextos, com base nos princípios de evidência e conhecimento científico”, diz o documento no seu prefácio onde se admite que se trata de um vírus com muito ainda por descobrir e confirmar.

A segunda parte do manual foca-se em cinco medidas principais. Além das já conhecidas “distanciamento entre pessoas; utilização de equipamentos de proteção” (como máscaras) e “higiene pessoal, nomeadamente a lavagem das mãos e etiqueta respiratória”, também é referida a “higiene ambiental, como a limpeza e desinfeção” e a automonitorização de sintomas, com abstenção do trabalho caso surjam sintomas sugestivos de covid-19.

Tome nota:

Medidas de distanciamento

São aquelas que mais eficácia têm na prevenção e os comportamentos que as pessoas devem adotar podem ser resumidas neste conjunto de pontos:

– Manter uma distância de pelo menos 1,5-2 metros das outras pessoas.

– Evitar o contacto com pessoas que apresentem sintomas sugestivos de COVID-19, como febre, tosse ou dificuldade respiratória.

– Sempre que possível, trabalhar a partir de casa (teletrabalho).

– Utilizar, de preferência, serviços telefónicos ou eletrónicos, para entrar em contacto com outros serviços, como supermercados ou farmácia, ou, quando possível agendar a sua presença nos espaços físicos, como museus, restaurantes, entre outros.

– Em caso de necessidade de cuidados médicos, utilizar serviços telefónicos ou eletrónicos para contactar previamente os serviços de saúde, não esquecendo que estes têm circuitos separados para COVID-19, e que sempre que se justificar deve recorrer presencialmente a estes serviços.

Aquilo que as pessoas não devem fazer é também divulgado neste manual da DGS, consistindo nos seguintes pontos: Partilhar artigos pessoais; Frequentar lugares movimentados com aglomerados de pessoas;Ter contactos desnecessários (como por exemplo, convívios dentro ou fora de casa); Promover ou participar em eventos que reúnam muitas pessoas, sobretudo em espaços fechados; Sempre que for necessário reunir com outras pessoas, opte pelo mínimo possível e em espaço aberto. 1,5-2 metros.

Equipamentos de Proteção

Para servir de barreira protetora ao vírus, há equipamentos que podem ser usados para proteção individual. São máscaras, respiradores óculos, luvas, bata, entre outros. “Estes devem ser utilizados conforme a atividade desempenhada e o risco de exposição à COVID-19”.

MÁSCARA

“A utilização de máscara permite que o utilizador proteja as pessoas que o rodeiam e o ambiente. Todavia, a sua utilização só é efetiva se for combinada com outras medidas de prevenção, como a lavagem de mãos, a etiqueta respiratória e o distanciamento físico. Por si só, a máscara não garante proteção, podendo fazer esquecer as outras medidas de prevenção. Por exemplo, se a máscara não estiver bem colocada, pode ter a tendência para tocar mais vezes na cara.”

A DGS esclarece que há três tipos de máscaras:

Respirador, que devem ser usadas por profissionais de saúde.

Máscara cirúrgica, que também protege da inalação de gotículas, apesar de ter menos capacidade de filtração do que os respiradores. “Estas máscaras deverão ser utilizadas por um período máximo de 4 a 6h, devendo ser trocadas, por uma nova, sempre que se encontrem húmidas”. Devem ser usadas por “pessoas com COVID-19, com sintomas de infeção respiratória como febre, tosse ou dificuldade respiratória, cuidadores de pessoas com COVID-19, pessoas no interior de instituições de saúde, pessoas com estados de imunossupressão, pessoas com doenças crónicas, idosos (mais de 65 anos de idade), profissionais com elevado risco de exposição e todas as pessoas que permaneçam em espaços interiores fechados com múltiplas pessoas, como medida de proteção adicional ao distanciamento social, à higiene das mãos e à etiqueta respiratória”.

Máscara não-cirúrgica, comunitária ou de uso social, caso se “destinem à utilização por profissionais que tenham contacto frequente com o público, devem garantir nível mínimo de filtração de 90% e caso se destinem à população em geral, devem garantir um mínimo de filtração de 70%. São utilizadas como barreira para complementar as medidas de proteção e das regras de distanciamento, mas não as substituindo”.

VISEIRA

“É um equipamento de proteção contra a projeção de partículas sólidas e líquidas, que deve envolver a face. Estes podem complementar a utilização de máscara mas não conferem proteção respiratória. Servem para proteger o utilizador das partículas expelidas por outras pessoas em proximidade. A sua utilização deve ser considerada por profissionais que possam estar expostos a pessoas que não utilizem máscara, como por exemplo serviços de atendimento ao público, caso não estejam protegidos por uma barreira física (ex: acrílico).”

Onde as máscaras são obrigatórias

O manual de medidas gerais e de controlo da doença sublinha que desde o dia 3 de maio, é obrigatório o uso de máscaras para o acesso ou permanência em determinados espaços:

– Espaços e estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços.

– Serviços e edifícios de atendimento ao público.

– Estabelecimentos de ensino e creches pelos funcionários docentes e não docentes e pelos alunos maiores de seis anos.

– Transportes coletivos de passageiros.

Esta obrigatoriedade é dispensada quando, em função da natureza das atividades, o seu uso seja impraticável.

Como utilizar a máscara

Uma das questões mais importantes na prevenção é o uso correto da máscara. São apresentados os passos que devem ser seguidos:

– Higienize as mãos, com água e sabão ou com uma solução à base de álcool, antes de colocar a máscara.

– Verifique qual o lado a colocar voltado para a cara (por exemplo nas máscaras cirúrgicas deve colocar com o lado branco [face interna] virado para a cara, e o lado com outra cor [face externa] virado para fora).

-Prenda-a à cabeça com os atilhos, dando um laço em cada um, ou com os elásticos, sem os cruzar.

– Ajuste a banda flexível na cana do nariz, garantindo que a boca, nariz e queixo estão cobertos.

– Certifique-se que a máscara está bem ajustada à face.

– Evite tocar na máscara enquanto a tiver colocada. Se tocar, higienize as mãos.

– Não deve retirar a máscara para falar, tossir ou espirrar.

-Substitua a máscara por uma nova, se esta estiver húmida, higienizando as mãos entre as duas tarefas. Idealmente não deve usar a máscara durante mais de 4 horas seguidas.

-Retire a máscara, segurando nos atilhos ou elásticos, a partir da parte de trás (não toque na frente da máscara).

-Descarte-a de imediato num caixote do lixo.

– Higienize as mãos, após retirar a máscara.

Luvas não são recomendadas

“A utilização de luvas na comunidade não está recomendada”, esclarece a DGS. Justifica que “a sua utilização incorreta pode aumentar o risco de transmissão do SARS-CoV-2. Ao tocar com as luvas em superfícies e objetos pode promover a disseminação do vírus e, ao utilizá-las por longos períodos, pode esquecer-se e tocar com as luvas na cara”

Há exceções. “A utilização de luvas pode ser recomendada, por exemplo, na manipulação de alimentos, lavagem de roupa ou desinfeção de superfícies contaminadas.

SEMPRE QUE UTILIZAR LUVAS, DEVE COLOCÁ-LAS E REMOVÊ-LAS DE FORMA ADEQUADA:

– Higienize as mãos, com água e sabão ou com uma solução à base de álcool, antes de colocar as luvas e seque-as bem.

– Retire a 1ª luva da caixa original pela região do pulso, evitando tocar noutras partes.

– Coloque a 1ª luva, ajustada à mão, puxando pela região do pulso.

– Retire a 2ª luva, segurando-a pela região do pulso.

– Coloque a 2ª luva agarrando-a pela parte externa da região do pulso, de forma a evitar tocar no braço.

– Depois de colocadas as luvas, deve evitar tocar em superfícies desnecessariamente (as luvas são colocadas para desempenhar uma tarefa e, descartadas logo após a realização da mesma).

Medidas de higiene pessoal

Já se sabe que a higiene das mãos é essencial já que as mãos são um fácil veículo para a transmissão da infeção.

HIGIENE DAS MÃOS

– Regular: lave as mãos frequentemente ao longo do dia e sempre que se justifique (ex: ao chegar a casa ou ao trabalho, quando assoar o nariz, espirrar ou tossir).

– Cuidada: lave as mãos durante pelo menos 20 segundos, esfregando sequencialmente as palmas, dorso, cada um dos dedos e o pulso, secando-as bem no final;

– Sem acessórios: não se esqueça de remover anéis, pulseiras, relógios, ou outros objetos, antes da lavagem das mãos. Estes adereços deverão também ser higienizados após a sua utilização.

– Com água e sabão: o vírus é facilmente eliminado com água e sabão, devendo ser este o método preferencial. Caso não tenha acesso a água e sabão, desinfete as mãos com solução à base de álcool com 70% de concentração (não deve usar, para tal, álcool a 96%).

ETIQUETA RESPIRATÓRIA

– Tapar: quando tossir ou espirrar, cubra a boca e o nariz, com um lenço de papel ou com o braço, evitando a projeção de gotículas (não use a mão).

– Descartar: após a utilização do lenço descartável, deite-o imediatamente no lixo.

– Lavar: após descartar o lenço, lave de imediato, as mãos. Caso tenha utilizado o braço, lave-o, ou à camisola, assim que possível.

Medidas de higiene ambiental

Deve limpar e desinfetar os locais ou materiais que possam estar contaminados com o vírus, evitando assim o risco de propagação para si ou para outras pessoas.

A lixívia é um desinfetante doméstico forte, cujo principal ingrediente é o hipoclorito de sódio, que é eficaz a eliminar o SARS-CoV-2. “A sua utilização deve ser cuidadosa, uma vez que em concentrações elevadas pode ser nociva para o utilizador, além de poluir o meio ambiente”.

A DGS indica uma conjunto de procedimentos a ter em conta na sua utilização, além de apontar que “todas as superfícies podem ser veículos de contágio. No entanto, o risco varia consoante a sua frequência de manipulação, toque ou utilização”.

LAVAGEM DE ROUPA

“Ainda não há certeza sobre o tempo de sobrevivência do SARS-CoV-2 nos diferentes materiais da roupa. Contudo existem certos cuidados que pode ter para prevenir a possível transmissão através destes meios.”

Não é necessário descontaminar a roupa de todos. Só se aplica no caso de Doente com COVID-19, cuidador de pessoas doentes com COVID-19, profissional de saúde e outras pessoas que possam ter estado em contacto com pessoas ou superfícies contaminadas. Nests casos, entre outros conselhos, recomenda-se “lavar preferencialmente na máquina, com a maior temperatura possível (pelo menos a 60ºC durante 30 minutos, ou entre 80-90ºC, durante 10 minutos para descontaminar através da temperatura)”.

VENTILAÇÃO E AR CONDICIONADO

Recomanda a DGS, que “em espaços fechados, deve abrir as portas ou janelas para manter o ambiente limpo, seco e bem ventilado. Caso não seja possível, deve assegurar o funcionamento eficaz do sistema de ventilação, assim como a sua limpeza e manutenção”:

– Mantenha os locais ventilados (pelo menos, 6 renovações de ar por hora), abrindo janelas e/ou portas.

– Se necessitar de usar um sistema de ventilação de ar forçado, assegure-se que o ar é retirado diretamente do exterior e não ative a função de recirculação do ar.

– Os sistemas de ventilação e ar condicionado devem ser sujeitos, de forma periódica, a limpeza e desinfeção.

– É recomendado que desligue a função de desumidificação, do sistema de ventilação e ar condicionado.

– Deve reforçar a desinfeção do reservatório de água condensada e da água de arrefecimento das turbinas do ventilador.

TRATAMENTO DE RESÍDUOS

“Existem cuidados específicos a ter com os resíduos que produz, sobretudo se estiver com sintomas sugestivos de COVID-19. Se for um caso confirmado ou suspeito, deve utilizar um caixote do lixo com uma tampa, preferencialmente de abertura não manual (ex: com pedal). Caso não tenha um caixote de abertura não manual, lave as mãos antes e depois da sua utilização.

Além disso, deve ter um saco de plástico dentro do caixote e este saco deve ser cheio até no máximo 2/3 da sua capacidade; fechar bem o saco de plástico com dois nós bem apertados e, preferencialmente, com um atilho ou adesivo, sendo que o primeiro saco de plástico deve ser colocado dentro de um segundo saco, igualmente bem fechado; os resíduos nunca devem ser calcados, nem deve apertar o saco para sair o ar; limpar e desinfetar os caixotes do lixo com regularidade.

O manual está disponível na íntegra aqui.

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