Política Monetária

Draghi não exclui que o BCE volte a cortar as taxas de juro

Mario Draghi, Presidente do Banco Central Europeu. REUTERS/Kai Pfaffenbach
Mario Draghi, Presidente do Banco Central Europeu. REUTERS/Kai Pfaffenbach

O presidente do BCE disse ainda que o programa de compra de ativos ainda tem "espaço considerável" de atuação.

Mario Draghi afirmou esta terça-feira que voltar a cortar as taxas de juro continua a ser uma das ferramentas que o Banco Central Europeu (BCE) tem disponíveis para utilizar, se necessário.

O presidente do BCE apontou para a “persistência” de riscos para o futuro e que “os riscos que foram proeminentes ao longo do ano passado, em particular fatores geopolíticos, a crescente ameaça do protecionismo e vulnerabilidades nos mercados emergentes não se dissiparam”. “O prolongamento dos riscos pesou sobre as exportações e, em particular, sobre a produção”, afirmou.

“Novos cortes nas taxas de juros de política e medidas de mitigação para conter quaisquer efeitos colaterais permanecem como parte de nossas ferramentas”, disse o presidente do banco central num discurso durante a sexta edição do Fórum do BCE, em Sintra.

Os mercados monetários estão a incorporar uma descida de 10 pontos base nas taxas de juro, por parte do BCE, até dezembro deste ano, segundo a Bloomberg.

O euro seguia a descer 0,3% para 1,1187 dólares, às 15H30, segundo dados da Bloomberg. As yields da dívida soberana alemã a 10 anos – o benchmark do mercado – caiu para um mínimo de sempre de -0,320%.

Os juros da dívida soberana portuguesa a 10 anos desciam para o mínimo de 0,529%.

No mercado acionista, o índice norte-americano S&P 500 subia 1,1%, o Nasdaq 100 ganhava 1,89% e o Dow Jones 1,26%. Na Europa, o índice Stoxx Europe 600 seguia a subir 1,6%. Em Lisboa, o índice PSI20 ganhava 0,91%.

“Na ausência de melhorias, de modo que o retorno sustentado da inflação ao nosso objetivo esteja ameaçado, estímulos adicionais serão necessários”, afirmou Draghi.

Draghi explicou que o que importa para “a calibração de políticas” do BCE é o seu “objetivo político de médio prazo: uma taxa de inflação abaixo, mas próxima, de 2%. Esse objetivo é simétrico, o que significa que, se quisermos entregar esse valor da inflação no médio prazo, a inflação tem que estar acima desse nível em algum momento no futuro”.

Segundo dados divulgados hoje, a inflação na zona euro desceu para 1,2% em maio.

“E o APP (asset purchase programme, ou programa de compra de ativos) ainda tem espaço considerável. Além disso, o Tratado (da União Europeia) exige que nossas ações sejam necessárias e proporcionais para cumprir nosso mandato e alcançar nosso objetivo, o que implica que os limites que estabelecemos em nossas ferramentas são específicos das contingências que enfrentamos”, explicou.

Adiantou que “se a crise mostrou alguma coisa, é que vamos usar toda a flexibilidade dentro do nosso mandato para cumprir o nosso mandato – e vamos fazê-lo novamente para responder a quaisquer desafios à estabilidade de preços no futuro”.

“Todas essas opções foram levantadas e discutidas em nossa última reunião”, disse.

Os investidores estão em modo de espera, a aguardar pela decisão da Reserva Federal norte-americana, que será conhecida na quarta-feira. As atenções estão concentradas nas declarações que o presidente da FED, Jerome Powell, fará na conferência de imprensa, para perceber se se confirmam as expectativas de cortes nas taxas de juro nos EUA.

Atualizada às 15H30 com mais informação

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