MEET 2030

Eficiência energética como fonte de crescimento económico

Tiago Domingos (IST), António Alvarenga (ALVA) e Sofia Santos (BCSD)
Tiago Domingos (IST), António Alvarenga (ALVA) e Sofia Santos (BCSD)

Para os mentores do Meet 2030 a produtividade energética está na base de um futuro economicamente sustentável

“Numa economia neutra em carbono, como vai Portugal conseguir criar emprego e crescer?” É a esta pergunta a que a iniciativa Meet 2030 – um projeto que reúne a associação BCSD Portugal – Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável, o Instituto Superior Técnico e cerca de 30 empresas portuguesas – quer responder, em parceria com o Dinheiro Vivo. Desde o início do ano foram realizados três workshops – o quarto e último tem lugar nesta terça-feira – nos quais se discutiram cenários, estratégias empresariais e oportunidades de crescimento. Sofia Santos, secretária-geral da BCSD, avança com uma resposta. “Portugal vai crescer e criar emprego numa economia neutra em carbono, se reconhecer que a energia – a produtividade da energia – tem um papel importantíssimo no crescimento do PIB”, diz a economista.

“O Meet 2030 parte de investigação feita por nós no IST em colaboração com outros investigadores noutros países, onde encontrámos uma relação entre eficiência energética e crescimento económico, que até agora não tinha sido identificada”, afirma Tiago Domingos, professor associado do IST e outro dos mentores do Meet 2030, que sublinha o facto de o aumento da eficiência energética gerar novos negócios em toda a economia. “Quando olhamos para a transição da eficiência energética associada à quarta revolução industrial estamos a olhar para uma transformação massiva e transversal a toda a nossa sociedade e à nossa economia”, diz o investigador.

Colocar a produtividade da energia na equação gera mudanças a nível das políticas públicas e do próprio sistema financeiro. “Este deve começar a compreender que investir e promover financiamento em projetos de economia verde e economia circular são boas oportunidades de negócio. Atualmente está já em processo de elaboração a Estratégia Europeia das Finanças Sustentáveis, que irá trazer a todos os bancos europeus exigências fortes a nível dos investimentos que deverão ser realizados na chamada economia verde”, sublinha a responsável da BCSD.

Parte do desafio do Meet 2030 passa por encontrar tecnologias e modelos de negócios adequados às empresas portuguesas. Sofia Santos sublinha que as empresas estão empenhadas no processo de descarbonização mas preocupadas com o esforço que terá de ser feito a nível das infraestruturas, tecnologias e processos.
Cenários para o futuro

Como forma de antecipar o futuro, empresas e investigadores traçaram vários cenários (ver caixa). “Olhámos para o que pode determinar diferentes futuros para a economia portuguesa no contexto da quarta revolução industrial e da sustentabilidade, e os desafios que trazem para as empresas e para o Estado. Os diferentes futuros possíveis ajudam-nos a iluminar alguns dos riscos e oportunidades”, explica António Alvarenga, diretor executivo da ALVA Research and Consulting. A construção dos cenários teve por base uma série de variáveis – as chamadas incertezas cruciais. “A nossa opção foi pensar evoluções contrastadas e ver o tipo de economia portuguesa que teríamos se essas variáveis fossem todas para algo que beneficiasse o crescimento económico ou, pelo contrário, se fossem para o lado em que dificultaria esse crescimento. Quantificámos também as consequências e tivemos algumas surpresas que vamos agora partilhar com as empresas”, diz António Alvarenga.


 

Portugal Um futuro de Lince ou de Avestruz?

As duas visões para Portugal em 2030, num contexto de descarbonização profunda, serão apresentadas no relatório final do Meet 2030, a 23 de novembro. Na primeira, o país permanece sem estratégia definida e com fraco crescimento. Na segunda há crescimento, forte cooperação entre agentes e produtividade resultante da eficiência energética. Qual delas se confirmará?

 

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