Trabalho

Emprego no turismo é jovem, feminino e precário

Turistas no Miradouro São Pedro de Alcântara, em Lisboa.
(Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)
Turistas no Miradouro São Pedro de Alcântara, em Lisboa. (Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)

Setor cresce a um ritmo superior à economia como um todo e tem sido um dos principais suportes do crescimento. Criou 50 mil postos em três anos.

Tem sido um dos setores mais dinâmicos na criação de emprego em Portugal nos últimos, sobretudo a partir de 2016 quando se verificaram taxas de crescimento anuais superiores ao resto da economia como foi o caso excecional de 2017 quando a subida foi de 15%. De acordo com a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares (AHRESP), entre 2015 e 2017, foram criados 50 mil empregos e ainda faltam cerca de 40 mil pessoas.

Mas quem são as pessoas que trabalham neste setor, que qualificações têm e como compara com o resto da economia?

Tal como acontece com o resto da Europa, em Portugal, o turismo cria emprego para as mulheres e para os jovens e caracteriza-se por contratos de tempo limitado superiores aos restantes setores da economia.

De acordo com os dados do Eurostat de 2018, a população empregada no turismo corresponde a 9% do total do emprego em Portugal (439 mil pessoas). Está acima da média europeia, que se situa em 6,5%, e é também um indicador da importância deste setor para a economia nacional.

Analisando mais ao pormenor, a proporção de mulheres a trabalhar em atividades ligadas ao turismo era superior a 53%, quase dez pontos percentuais acima do resto da economia, onde a percentagem de mulheres não chega a metade da força de trabalho (48,9%).

Mas também há outra característica distintiva deste setor. Comparando com o resto da economia, nas atividades relacionadas com o turismo (o Eurostat inclui o transporte aéreo, o alojamento e restauração e as agências de viagem), a proporção de jovens é quase o dobro do emprego total. Em 2018, 11,7% da força de trabalho no turismo correspondia a jovens entre os 15 e os 24 anos, quando no resto da economia fica pouco acima dos 6% (6,1%).

Contratos curtos
A análise do gabinete de estatística da União Europeia (UE) indica também outra característica transversal a toda a UE quando se fala de vínculos laborais.

Nas atividades ligadas ao turismo, há uma maior parcela de pessoas com contratos de duração limitada, comparando com o resto da economia. Neste setor, cerca de 23% dos trabalhadores têm um contrato a prazo, quando no emprego total essa proporção é de 14%.

Também neste aspeto, Portugal compara mal com os restantes parceiros da União e não é só no turismo. Em Portugal, 29% dos contratos no setor do turismo são de duração limitada (emprego temporário), ou seja, seis pontos percetuais acima dos parceiros europeus. Mas, pior é no emprego total em que 22% dos contratos em Portugal são de duração limitada, quando no resto da Europa se ficam pelos 14% – uma diferença de oito pontos.

As atividades relacionadas com o turismo também apresentam uma maior prevalência de trabalhadores com baixas qualificações. Os dados mostram que mais de metade das pessoas empregadas (50,3%) têm até o ensino básico, um valor muito acima do resto da economia, onde a proporção não ultrapassa os 46%.

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