Óbito

Morreu Paulo Nunes de Almeida, líder da AEP

Paulo Nunes de Almeida
Paulo Nunes de Almeida. Fotografia: João Manuel Ribeiro/Global Imagens

Presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP) faleceu hoje, no Porto

Aos 60 anos, Paulo Nunes de Almeida, presidente da AEP, faleceu nesta quinta-feira, no Porto, na sequência de uma doença prolongada. O corpo estará nesta sexta-feira na Capela Mortuária da Igreja de Santo António das Antas, seguindo-se uma missa, às 17 horas, na mesma Igreja.

Era cronista do “Jornal de Notícias” e do Dinheiro Vivo, tendo a sua última opinião sido dedicada ao presidente do presidente do Banco Central Europeu, a quem deixou um elogio pelo trabalho desenvolvido no seu mandato.

Na sua última entrevista ao Dinheiro Vivo, a 27 de abril, a propósito dos 170 anos da AEP, focou um dos temas que lhe foram mais caros: a defesa da regionalização e, em particular, da região Norte.

Em comunicado enviado às redações, a AEP lamenta a morte e recorda que o seu 30.º presidente “deixa uma marca forte no associativismo, nomeadamente em áreas fundamentais para a economia portuguesa como a internacionalização, o empreendedorismo e a formação profissional”. Na sua última tomada de posse, a 27 de junho de 2017, afirmou: “A AEP nunca foi um peso. Antes pelo contrário, foi a vitamina que me fortaleceu e a adrenalina que me estimulou”.

Numa nota de pesar, o ministro Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, lamenta a morte do presidente da AEP: “Foi com uma enorme tristeza que tomei conhecimento da morte do dr. Paulo Nunes de Almeida. O país perde um cidadão empenhado, toda a vida, na modernização da economia e na vitalidade do tecido empresarial, e eu perco um amigo, pois tive a grande honra e o grato prazer de ter sempre contado com o seu conselho sensato e próximo. À sua família e à AEP endereço as mais sentidas condolências nesta hora difícil.”

O ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, José António Vieira da Silva, relembra a claridade da personalidade de Paulo Nunes de Almeida. “O seu empenho como promotor de inovação e defensor da mobilização de todos na qualificação de pessoas e instituições destacou-se num nível muito elevado. Neste momento de tristeza manifesto à sua família e à AEP a minha profunda solidariedade e sinceras condolências”.

Marcelo Rebelo de Sousa lamentou a morte do presidente da AEP, sublinhando que “liderou pelo exemplo”, e salientando a sua “capacidade de ouvir e unir”, a sua “energia e resiliência”. “Os empresários portugueses perdem um homem bom que representava com empenho a iniciativa empresarial”, declara o chefe de Estado, que apresentou “sentidas condolências à família e à associação empresarial que dirigiu com grande dinamismo desde 2014, após longos anos na vice-presidência”.

Já o secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade começa por dizer que “Paulo Nunes de Almeida não nos deixará nunca”. Para José Gomes Mendes, o presidente da AEP “partiu, mas o seu legado manterá bem viva a memória de um homem bom, um empresário com um talento natural para a construção de consensos. Das inúmeras vezes em que nos cruzámos, retenho a gentileza do trato e, sobretudo, a paixão que partilhávamos pelo empreendedorismo e pela formação dos recursos humanos. Estas foram as qualidades que o projetaram na AEP e no movimento associativo empresarial, com benefícios para o país que vão perdurar por muito tempo.”

O percurso de um empreendedor

Licenciado em Economia pela Universidade do Porto, tem uma filha e um filho.

A sua vida destacou-se por uma forte ligação à atividade empresarial, mas também pela envolvimento no futebol, tendo sido, desde 2008, presidente do Conselho Fiscal do F. C. Porto e da Futebol Clube do Porto – SAD.

Iniciou a sua vida profissional no Banco Português do Atlântico, em 1982, onde esteve dois anos. No final, criou a sua primeira empresa, na área dos serviços financeiros.

Desde então, não mais abandonou a atividade empresarial, em vários ramos, mas sobretudo no setor têxtil e da moda.

Nos primórdios da sua ligação ao associativismo, destacou-se por ter sido fundador e vice-presidente da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), em 1986. Uma década depois, assumiu a presidência da Mesa da Assembleia Geral da instituição, cargo que manteve até 2002.

Em paralelo, entre 1996 e 2000, integrou o Conselho Económico e Social. Mais tarde, assumiu outros cargos diretivos na Associação Comercial do porto (ACP) e na Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP), da qual foi presidente e da direção e do conselho fiscal.

Na atualidade, era presidente da AEP desde 2016 e, há um ano, tinha sido reconduzido no cargo para um segundo mandato, até 2020. Era também membro do Conselho Geral da Confederação Empresarial de Portugal (CIP).

Tomou posse como 30.º presidente da AEP em 2014 (2014/2017). Em 27 de junho 2017 foi reeleito para um segundo mandato, que iria terminar em 2020.

Foi também o primeiro presidente da Fundação AEP, desde agosto de 2010, cargo que abandonou em abril já deste ano.

A cultura, a solidariedade social, a defesa do consumidor e o desporto foram outras áreas às quais esteve ligado. O mundo desportivo destacou-se na sua vida, desde logo pela ligação ao F. C. Porto, embora já antes tivesse sido vice-presidente do Sport Clube do Porto, um clube amador.

O seu percurso acabou por ser reconhecido em várias instâncias. A mais recente homenagem ocorreu no dia 14 de maio, no jantar comemorativo dos 170 anos da AEP, quando o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o condecorou com a Grã-Cruz da Ordem de Mérito Empresarial – Classe do Mérito Industrial.

Para trás, ficou a Medalha de Honra e o Prémio Carreira da ANJE, o Prémio Carreira da Fashion TV, a Medalha de Honra da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, Associado Honorífico da Associação do Corpo Consular do Porto, o Dragão de Ouro do Futebol Clube do Porto (dirigente do ano 2011-2012) e a Medalha de Ouro da Associação Comercial do Porto.

Reações à morte de Paulo Nunes de Almeida

As reações à morte de Paulo Nunes de Almeida começam a surgir minutos depois da notícia da morte de Paulo Nunes de Almeida. António Saraiva, líder da CIP, fala de “um dirigente como poucos”. “Tive o privilégio de a seu lado testemunhar uma profunda paixão e dedicação às organizações que dirigia, honrando e dignificando com entrega e devoção a luta pela edificação do associativismo empresarial”.

O líder da Confederação Empresarial de Portugal notou ainda, em comunicado, que “Paulo Nunes de Almeida era um homem de causas. Um amigo tão característico como a essência da cidade do Porto que tanto amava: sempre invencível, sempre leal, sempre sincero”. Diz ainda que: “o seu legado ficará escrito a letras de ouro” e que “enquanto tivermos memória, ele será para sempre lembrado como uma referência maior do associativismo empresarial. Ele fez tudo a bem de Portugal”.

Pedro Matias, presidente do ISQ, recorda “Paulo Nunes de Almeida como uma figura destacada do setor empresarial e nomeadamente do Associativismo em Portugal. A ele se devem muitas batalhas e muitas vitórias em prol da afirmação da ‘Indústria’ e das empresas enquanto motor do desenvolvimento económico e social. Destacado dirigente associativo da AEP sempre procurou promover e afirmar a inovação e a competitividade das empresas. Era uma pessoa inteligente, cordata e mobilizadora que vai deixar muitas saudades no Norte do país e em Portugal”.

Celso Guedes de Carvalho, comissário da Expo Dubai, destaca em Paulo Nunes de Almeida a “humildade. Sentido de dever. Entrega às causas em que acreditava. Amor pela cidade do Porto e pela Região Norte. Desprendimento. Homem de família. Um líder discreto mas impactante no resultado agregador de talento”.

Óscar Afonso, professor da Faculdade de Economia do Porto, recorda Paulo Nunes de Almeida como “um líder empresarial excecional, pelas suas qualidades pessoais e profissionais, pela sua coragem e pela capacidade de lucidez com que interpretava o mundo empresarial. Desempenhou sempre com muita competência cargos empresariais relevantes; entre outros, na Associação Nacional de Jovens Empresários, na Associação Comercial do Porto, no Conselho Geral da Confederação Empresarial de Portugal e na Fundação da Associação Empresarial de Portugal (AEP). O reconhecimento com a Grã-Cruz da Ordem de Mérito Empresarial pelo Presidente da República, durante as comemorações do 170º aniversário da AEP, sumaria a sua visão, o seu sentido estratégico, a sua intuição empresarial, a sua influência decisiva para a sobrevivência da AEP, bem como o seu contributo para a aposta na internacionalização da economia portuguesa e para a oferta qualificada da produção nacional”.

Alexandre Fonseca, CEO da Altice, confessa que foi com grande pesar que recebeu a notícia do desaparecimento do Paulo Nunes de Almeida, “um grande vulto do setor empresarial do nosso país”. “Tive o prazer de o conhecer enquanto Presidente da AEP e também do Conselho Fiscal do FC Porto, dois cargos onde revelou ser um homem de consensos e de um empenho e dedicação dignos de registo. Antes mesmo de a palavra estar na moda, o Paulo já era um verdadeiro empreendedor, estando sempre atento às diferentes e importantes conquistas no seio do setor empresarial. Foi pela mão dele que assistimos à criação do Portugal Fashion, à primeira presidência da Associação Têxtil de Portugal, ou, mais recentemente, à Campanha Portugal Sou Eu, iniciativas e cargos a que imprimiu um imenso dinamismo e disrupção, tal como a tudo quanto fazia. Essas são características e marcas da sua personalidade, que serão recordadas por todos quanto o conheceram.”

Para Luís Castro Henriques, presidente da Aicep, “é uma triste notícia. O país perdeu um homem de consensos e um grande defensor das empresas. O Paulo Nunes de Almeida era genuinamente dedicado aos empresários e era uma figura admirada e respeitada entre todos. Com a sua elevada experiência, tentava sempre ser parte da solução, e não do problema, e era uma figura agregadora entre o tecido empresarial, colaborando com muitas Associações e Instituições, nomeadamente a AICEP, de forma sempre leal e correta. Fará muita falta a Portugal”.

O presidente do conselho de administração do Global Media Group, Daniel Proença de Carvalho, considera que “Paulo Nunes de Almeida teve um papel muito relevante na dinamização do associativismo empresarial, especialmente no Norte, e na defesa da iniciativa privada enquanto motor do crescimento económico. Era uma pessoa frontal, independente, que defendeu as suas ideias com coragem, será recordado como um líder que deixou uma marca nas associações empresariais a que presidiu”.

Ramalho Fontes, presidente da AESE Business School, destaca que “com a cultura empresarial no seu ADN familiar, soube colocá-la ao serviço da AEP com serenidade, profissionalismo e paciência. Os valores familiares também fizeram parte do seu protagonismo cívico. Um testemunho que nos deve servir de exemplo a continuar”.

“Morreu um grande nome do associativismo português”, destaca Bruno Bobone, Presidente da CCIP. “Paulo Nunes de Almeida foi um amigo de quem se gosta pela sua simplicidade, simpatia, honestidade e dedicação ao seu projeto. Tomou a seu cargo uma importante associação empresarial, que atravessava uma situação complicada e difícil e conseguiu dar-lhe as condições de se tornar numa das organizações empresariais que mais contribuíram para o apoio ao desenvolvimento da economia portuguesa nos últimos anos. Com a sua postura tranquila e a sua simplicidade simpática, conseguiu mover as montanhas que poucos se atreveriam a enfrentar e obteve os resultados que poucos acreditariam ser possíveis. Recuperou uma instituição garantindo-lhe as competências e os apoios que foram necessários à manutenção da credibilidade do seu projeto. Perdemos um amigo, um lutador e um grande defensor das empresas e da economia portuguesa.”

“Tive o privilégio de partilhar duas das suas paixões: o seu amor pelo seu FCP e a causa à qual dedicou parte da sua vida, que foi o desenvolvimento e apoio do associativismo empresarial, com particular ênfase no Norte do País”, começa por recordar Paulo Gaspar, auditor da Deloitte e membro do conselho fiscal da AEP. “No FCP durante vários anos pautou sempre a sua ação com grande sensatez, lealdade e sinceridade. Na AEP dedicou-se, com toda a sua energia, à defesa do associativismo empresarial. Era uma força da natureza. Um Homem com uma inteligência superior, sempre atento aos pormenores, e mobilizador das pessoas do seu meio para as causas que abraçou.”

Paulo Nunes de Almeida “foi um exemplo do que é servir sem pedir nada em troca”, considerou a Associação Portuguesa da Cortiça (APCOR), para quem foi uma pessoa focada “no crescimento do país e sempre ao lado das empresas” e “inspirou quem também faz parte do movimento associativo”. Para João Rui Ferreira, presidente da associação, “a APCOR e toda a indústria da cortiça vão recordá-lo sempre com admiração e, a partir de hoje, com muita saudade. Obrigado, Paulo”.

“Paulo Nunes de Almeida foi um empresário vertical que lutou por valores sempre associados à melhoria de uma sociedade em que a economia empresarial era a sua área alvo”, recorda José Manuel Fernandes. CEO da Frezite. “Isto deu lhe sempre uma matriz de viver a pensar e criar projetos para benefício de todos na base de um altruísmo exemplar. Como seu Presidente do Conselho Consultivo da AEP e antigo colega do CÁ da AEP sempre senti o seu modo de estar no Associativismo Empresarial que era de servir, sempre disponível para ir mais longe na valorização das instituições que representava Era dotado de uma inteligência elevadíssima e de uma capacidade de mobilização de tudo à sua volta. O país perdeu um dos seus melhores. A saudade invade-nos”.

Notícia em atualização

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