Poupança

Famílias investiram uma média de 3,3 milhões por dia em certificados este ano

Certificados

Governo previa resgates nos certificados de poupança este ano. Mas estes produtos atraíram mais de três milhões de euros por dia de investimento.

Os certificados de Aforro e do Tesouro não eram uma das armas do Estado para o financiamento deste ano. O governo previa que os portugueses retirassem dinheiro desses produtos de poupança. Mas nos primeiros quatro meses do ano investiram, líquidos de resgates, uma média de 3,3 milhões por dia nestes produtos.

Este ritmo de subscrições levou a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) a rever em alta as previsões que tem para o contributo destes produtos no financiamento do Estado. Prevê agora entradas de 400 milhões de euros neste ano, o que compara com a estimativa anterior de resgates líquidos de mil milhões de euros. A atualização foi feita na última apresentação a investidores.

No Orçamento do Estado para este ano, o Ministério das Finanças justificava a previsão de saída de investimento com o facto de chegarem ao final do prazo 2,8 mil milhões em certificados do Tesouro emitidos no início de 2014 com juros elevados. As aplicações feitas nessa altura rendem neste ano, o último da aplicação, mais de 6% de juros antes de impostos.

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Atualmente as taxas são bem mais baixas. E o governo previa que, “por inércia” ou “pela busca de outro tipo de aplicações com maior remuneração, uma parte significativa deste montante poderia não ser reinvestida”. Os novos certificados do Tesouro pagam um juro de 0,75% no primeiro ano e de 2,25% no sétimo e último ano da aplicação, a que pode acrescer também um bónus pelo crescimento do PIB e o valor da Euribor. Já os certificados de Aforro oferecem inicialmente uma taxa de juro de apenas 0,689%.

Mas mesmo com taxas baixas, os instrumentos de financiamento do Estado oferecem bem mais do que os depósitos bancários. Estes rendiam em média 0,13% em março, data dos dados mais recentes do Banco de Portugal. As alternativas de risco baixo aos certificados do Estado são poucas e com rendibilidades próximas de zero. E assim irá continuar, já que o Banco Central Europeu (BCE) tem adiado a data prevista para começar a subir as taxas de referência. Agora prevê que isso não aconteça até, pelo menos, ao final do ano. Os juros só deverão sair do atual mínimo de 0% mais para o final de 2020.

Com juros mínimos nos depósitos, os certificados continuam a ser aposta. Só nos primeiros quatro meses do ano entraram mais 398 milhões de euros do que o dinheiro que saiu de resgates, segundo dados do Banco de Portugal divulgados nesta semana.

Famílias com 15% da dívida

Apesar de já não prever resgates para o total do ano, o IGCP continua cauteloso. A meta indicativa de 400 milhões pressupõe um contributo quase nulo dos certificados nos meses que restam do ano. Mas, no passado, o investimento nestes produtos já bateu as previsões. No total, o valor aplicado em certificados de Aforro e do Tesouro era, no final de abril, de 28,69 mil milhões. Corresponde a 11,5% da dívida direta do Estado.

Além dos certificados, o Estado tem outra arma para atrair poupança dos aforradores, as obrigações do Tesouro de rendimento variável (OTRV). O IGCP mantém a previsão de encaixar mil milhões com uma emissão neste ano. Nos últimos anos tem aproveitado os meses de verão ou a época de Natal para avançar com esse tipo de emissões.

Os pequenos investidores têm atualmente 7,95 mil milhões aplicados em OTRV que foram lançadas nos últimos anos. Juntando este valor ao dinheiro aplicado em certificados de poupança, detêm 36,6 mil milhões em dívida do Estado, 14,6% do total. A presidente do IGCP, Cristina Casalinho, tem sinalizado que esse peso deveria rondar os 10%.

Diversificar investidores

Portugal é um dos países da Europa onde as famílias têm um maior peso no total da dívida do Estado. Apenas Malta tem uma proporção maior. Também mais de 10% da dívida irlandesa está nas mãos de pequenos investidores. Durante a crise, os pequenos aforradores foram essenciais para ajudar o Estado a garantir financiamento quando os grandes investidores não estavam dispostos a assumir esse risco.

Mas o Estado nunca pagou tão pouco como agora para se financiar nos mercados de dívida. A taxa a dez anos passou mesmo abaixo de 1% pela primeira vez nesta semana, com as obrigações portuguesas a beneficiar da tendência de melhoria do rating e do apoio do BCE.

Ainda assim, o Tesouro quer continuar a diversificar a base de investidores. E deverá concretizar em breve a emissão de obrigações panda, denominadas em moeda chinesa. Essa operação poderá garantir 260 milhões de financiamento a três anos. O governo tem justificado a opção de emitir em moeda chinesa para diversificar a base de investidores e ter acesso a um novo mercado.

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