empreendedorismo

Estudo. Portugal é um país de empreendedores?

Exemplos de empreendedores da geração milénio em Portugal

Apenas 16% dos portugueses consideram a sociedade favorável ao empreendedorismo. E isso diz muito do sucesso dos novos negócios.

Apenas 16% dos portugueses consideram que a sociedade nacional é favorável ao empreendedorismo. A conclusão, apresentada esta quinta-feira, é da 6ª edição do estudo Global Entrepreneurship Report, realizado pela Amway a nível mundial. O número coloca Portugal em penúltimo lugar numa lista de 44 países considerados no estudo, apenas a Bulgária, onde apenas 8% dos inquiridos consideram a sua sociedade propícia para criar um negócio. As respostas dos participantes no estudo são negativas face à sociedade portuguesa, sobretudo quando comparadas com a média europeia de 46% e com a média mundial, de 50%.

Apesar das opiniões céticas da sociedade, quase 6 em cada dez entrevistados (58%) continuam a apresentar uma atitude positiva face ao empreendedorismo e 39% imaginam-se a iniciar um negócio próprio. A possibilidade de ser patrão e de regressar ao mercado de trabalho são as principais motivações dos portugueses para empreender, conclui o mesmo estudo. As conclusões mais positivas no panorama nacional são relacionadas com a atitude para empreender e com o potencial para o mesmo objetivo. “A maioria dos portugueses continua a assumir uma atitude positiva perante a criação do próprio emprego que, este ano, obteve 57% de respostas negativas. Quanto ao potencial para empreender, Portugal obteve 39% de respostas positivas, curiosamente um valor pouco mais alto do que a média europeia, de 38%”, refere o estudo. A nível mundial, o potencial para empreender é, em média, de 43%.

“O que falta? Somos uma cultura avessa ao risco, para quem empreender é arriscado”, explica Gonçalo Pernas, professor e vice-presidente da Audax.

Distinga-se então o que é que a ideia que temos do empreendedorismo condiciona a nossa capacidade de pensarmos que somos capazes de o ser. De acordo com os resultados deste estudo, nós portugueses encaramos melhor a possibilidade de sermos empreendedores do que propriamente o caminho do empreendedorismo. Ou seja, achamo-nos mais capazes do que arriscamos ser.

“O que falta? Somos uma cultura avessa ao risco, para quem empreender é arriscado”, explica Gonçalo Pernas, professor e vice-presidente da Audax – Centro de empreendedorismo e Inovação do ISCTE-IUL, um dos elementos da mesa redonda que juntou especialistas para analisar o Estudo Global de Empreendedorismo Amway 2015 e subordinado ao tema “Portugal, uma sociedade pouco favorável ao empreendedorismo”.

“Há uma nova geração que olha para o empreendedorismo como uma excelente oportunidade. Mas os mais velhos tendem a olhar para o empreendedorismo mais como necessidade, veem-no muitas vezes como última alternativa num mercado sem oportunidades de trabalho”, esclarece o professor, acrescentando que se trata também de uma questão de educação. “É um problema do nosso sistema educativo que não apresenta o empreendedorismo como solução de futuro para as crianças”, diz.

Na análise das cinco regiões de Portugal consideradas pelo estudo – Norte, Centro, Lisboa, Alentejo e Algarve -, todas apresentam percentagens muito similares – entre 57 e 60% – exceção feita ao Algarve, onde apenas 16% dos inquiridos disse encarar o empreendedorismo de forma positiva.

Rui Baptista, professor catedrático e presidente do Departamento de Engenharia e Gestão do Instituto Superior Técnico de Lisboa concorda. “As carreiras empreendedoras são sobretudo efeito dos desempregados”, assume.

“O que é mais interessante nos resultados deste estudo são as conclusões do que respeita ao potencial empreendedor, que está relacionado com a resposta à questão ‘és capaz de empreender?’. Porque o que realmente conta é o potencial empreendedor”, sublinha Mónica Milone, diretora-geral da Amway Iberia.

O estudo, realizado a partir de inquéritos a cerca de 50 mil homens e mulheres, entre os 18 e os 99 anos, em 44 países do mundo, efetuou entrevistas a 1000 pessoas em Portugal. Na análise das cinco regiões de Portugal consideradas pelo estudo (Norte, Centro, Lisboa, Alentejo e Algarve), todas apresentam percentagens muito similares – entre 57 e 60% – exceção feita ao Algarve, onde apenas 16% dos inquiridos disse encarar o empreendedorismo de forma positiva. No que respeita ao potencial, a região do Algarve mantém os níveis mais baixos do país, com apenas 12% dos participantes a considerarem ter os instrumentos necessários para levar a cabo a vontade de serem empreendedores. A região Norte (41%), Centro (46%) e Alentejo (42%) revelaram os valores mais altos de potencial empreendedor, seguidas de Lisboa (33%).

Para medir o espírito empreendedor, a Amway usou o Índice AESI, que analisa parâmetros relacionados com o desejo, a estabilidade e a viabilidade. Quarenta e quatro em cada 100 inquiridos portugueses revelou ter espírito empreendedor (em média, 39 mulheres e 49 homens em cada 100). Os números colocam Portugal em 31º lugar na tabela geral do Índice AESI, a nível mundial. A lista é liderada pela Índia, China e Tailândia (todos com 79%). Nos últimos lugares do ranking encontram-se o Japão, em 44º lugar, com 19%, antecedido pela Croácia (28%), pela Polónia (29%) e pela Alemanha (31%).

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