Tecnologia

Motorola quer utilizar inteligência artificial e analítica em situações de crise

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A marca apresentou a sua estratégia para o mercado da comunicação em situações de crise, no conferência Critical Communications World, em Berlim.

Em situações de comunicação de emergência, como cheias, ataques terroristas ou incêndios, todos os segundos contam. Em Berlim, a Motorola Solutions apresenta as suas soluções para o mercado das situações de emergência, com uma aposta na resiliência das comunicações e na IA, com o objetivo de operacionais que possam ser mais eficazes e ter maior capacidade de apoio à decisão, em cenários de crise.

Comecemos pelas estatísticas: em 2017, os registos apontam para 1374 ataques ligados a terrorismo, resultantes em 8354 mortes. Ou seja, entre 2011 e 2016, a estatística aponta para um aumento de 166% nestes ataques. Mas as comunicações em situações de crise não se aplicam apenas a estes casos: podem ir desde simples quedas em espaço público, a crianças desaparecidas em multidões ou, em casos mais extremos, cheias ou incêndios florestais. Em Portugal, a Motorola Solutions assegura a infraestrutura do Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP), que é utilizado por entidades como a Autoridade Nacional da Proteção Civil, a Polícia Judiciária, a PSP, GNR ou o INEM.

“As pessoas que utilizam as nossas tecnologias são os heróis do dia-a-dia, todas as decisões importantes são feitas no momento”, referiu Phil Jefferson, vice-presidente para a Europa Ocidental e África do Norte da Motorola Solutions. O responsável da Motorola aponta ainda outra questão: este tipo de comunicações está a tornar-se mais complexas – e as crises acontecem, referiu.

Por isso, a marca tem vindo a apostar nas capacidades da analítica e da inteligência artificial, como um ponto extra para quem toma decisões e planeia trabalhos em centros de comando. Um dos exemplos da analítica e IA ao serviço da segurança? No final do ano passado, a Motorola Solutions anunciou a aquisição da Avigilon, empresa que faz chegar ao mercado sistemas de videovigilância com imagens em alta resolução, que permitem isolar determinados pontos da imagem, com apenas alguns cliques, ou reconhecer estados de espírito ou comportamentos que fujam dos padrões de análise registados.

E, dentro de duas semanas, quando chegar ao mercado, este sistema ganhará mais nuances de IA, ao ganhar a capacidade para encontrar entre os vários feeds de câmara uma pessoa que vista roupa da cor x ou que use um corte de cabelo y. E os responsáveis da Avigilon utilizam um exemplo prático nesta questão: foi preciso tempo para analisar todas as imagens dos atentados da Maratona de Boston, em 2013, e encontrar mais pistas sobre a forma como foi feito. Segundo os responsáveis da empresa, hoje em dia, com o tipo de tecnologia disponível, esse processo poderia ter sido feito de uma forma bem mais célere.

Mas esta não é a única solução que a Avigilon veio acrescentar ao portefólio da Motorola: a Ally também recorre à vídeo-vigilância, sim, mas quer garantir soluções e um acompanhamento diferente em situações específicas, como casos de quedas em centros comerciais. Por duas questões: a primeira é o caso claro de assistência, que pode sorrir às empresas ao evitar possíveis processos; a segunda, por uma questão de ter mais informação pertinente, no momento da assistência. Assim, a plataforma Ally permite, além de detetar a situação em questão, acrescentar informação como fotografias a um relatório ou até o clip de vídeo específico que explica toda a situação e como aconteceu.

Os entraves à mudança para a polícia digital
“Há duas coisas que as pessoas odeiam: 1) como as coisas estão e 2) mudança”, explicou Paul Steinberg, o Chief Technology Officer da Motorola Solutions, durante uma sessão paralela à Critical Communications World. Numa sala com membros de forças de autoridade britânicas, como o principal inspetor da West Yorkshire Police, Ian Williams, a frase do CTO não fugia assim tanto da realidade no terreno. “Há uma clara questão ligada à cultura e aos resultados.

“Os resultados têm sempre importância: primeiro, por uma questão de reputação; e depois porque, muitas vezes, há vidas que dependem desses resultados e das decisões que se tomam”, explicou Ian Williams. E é daí que surge a principal questão que funciona como um entrave à implementação de soluções tecnológicas nas forças policiais e de resgate: a aprender a mexer num novo dispositivo e como integrá-lo no dia-a-dia, no terreno. Ainda assim, o responsável da polícia britânica acrescenta que “a partir do momento em que percebem o que é possível fazer e se dá aquele momento da ‘lâmpada a acender’ e tudo a fazer sentido, os operacionais vão querer mais tecnologia”. Entre os exemplos dados, Ian Williams falou sobre a plataforma PRONTO, descrita como “um livro de registos digital”. A partir de uma aplicação mais focada na produtividade, as forças de autoridade podem ter acesso a bases de dados, além das questões mais corriqueiras como horários de turnos ou tarefas diárias a cumprir.

As capacidades preditivas chegam ao centro de comando
Muito linearmente, qualquer chamada de emergência passará por um centro de comando, que funciona como o cérebro de qualquer operação, um verdadeiro hub de comunicações. Tunde Williams, da Motorola, refere que “a inteligência artificial é uma área de foco, que será uma vantagem no trabalho, ao torná-lo mais eficaz” – mas não deixa de lado as capacidades preditivas nos centros de comando.

Informação é poder, isso é um facto. Por isso, tirando partido das capacidades tecnológicas, é possível que, ao receber um alerta, o sistema possa automaticamente dar uma camada extra de informação a quem gere a operação: procura toda a informação que esteja no sistema sobre incidentes na área do alerta, mostrando também de que forma é que se procedeu em episódios anteriores. Cruzando essa informação com o alerta, é depois feita uma previsão da melhor forma de atuação para o cenário em causa.

Mas esta não é a única tendência neste campo – os drones também já deram provas de como podem ser usados em cenários de emergência (sendo que um caso de resgate com drone até já valeu prémio) e de como podem ser uma ferramenta ao serviço dos centros de comando. No exemplo dado, de uma situação de cheias causada pelo Furacão Irma, os drones tiveram um papel de destaque ao permitir fazer o mapeamento dos locais mais afetados pelas cheias. Graças aos sensores de IoT, permitiram ainda ter acesso a informação sobre a subida da água e até sobre quais as casas mais afetadas pelo furacão.

A jornalista viajou a convite da Motorola Solutions.

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