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S&P. Há governos do euro encostados ao dinheiro barato do BCE

Mario Draghi. Fotografia: REUTERS/Francois Lenoir
Mario Draghi. Fotografia: REUTERS/Francois Lenoir

S&P, juntamente com Moody's e Fitch, classifica a dívida portuguesa como investimento arriscado, especulativo (lixo).

O crescimento económico dos países da zona euro é débil e mostra um futuro pouco promissor em parte porque os governos parecem ter-se acomodado à política de dinheiro barato do Banco Central Europeu (BCE), evitando assim fazer as reformas estruturais ambiciosas “necessárias” para impulsionar as economias, avisou a Standard & Poor’s (S&P), num estudo publicado nesta segunda-feira.

“Os estímulos monetários do Banco Central Europeu (BCE) que ajudaram a fechar as fendas deixadas pela crise são inevitavelmente transitórios”, sendo que “a política monetária expansionista [quantitative easing e taxas de juro quase zero] também parece ter enfraquecido a determinação de muitos governos de impulsionar as reformas necessárias para impulsionar o crescimento económico”, diz Moritz Kraemer, o chefe da área de ratings da agência de notação financeira S&P.

Recorde-se que a S&P, juntamente com a Moody’s e a Fitch, classifica a dívida portuguesa como investimento arriscado, especulativo (lixo). A DBRS é única das quatro agências acreditadas junto do banco central que contraria esta nota débil, mantendo assim o acesso do país aos programas de expansão monetária do BCE, que permitem a venda e compra de dívida pública a taxas de juro razoavelmente baixas.

Os visados pelo recado da S&P são, sobretudo, os países mais endividados, como Portugal e Itália, que deveriam, segundo essa lógica, de fazer mais para conseguir sair da zona de perigo da dívida. No entanto, Portugal já tentou mostrar aos mercados e aos investidores de que não depende assim tanto da ajuda do BCE, noticiou o Dinheiro Vivo, no final de maio.

“Os desequilíbrios e a alavancagem de muitos soberanos da periferia permanecem elevados. Os níveis de dívida externa, que subiram antes da crise, na maioria dos casos não recuaram muito e ainda estão acima dos níveis pré-crise”, aponta o mesmo estudo.

Portanto, esses países e governo devem tentar fazer mais. “Muito trabalho precisa ainda de ser feito para que os soberanos da zona do euro enveredem por um caminho de crescimento sustentável e mais elevado, a par do fortalecimento das finanças públicas”, considera Kraemer.

“Este trabalho inacabado explica em larga medida por que razão as avaliações soberanas da zona euro [os ratings] praticamente não melhoraram” nos últimos anos, justifica aquele economista da S&P.

Além disso, os ratings de alguns países do euro continuam a ser prejudicados com a “fragmentação política e o euroceticismo”, fenómenos que também “estão a travar políticas reformistas claras”.

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