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Greve nos comboios: Lisboa e Porto temem “caos” nas áreas metropolitanas

Imagem de trânsito caótico na zona de Rio Tinto.
(Ivo Pereira/Global Imagens)
Imagem de trânsito caótico na zona de Rio Tinto. (Ivo Pereira/Global Imagens)

Fernando Medina e Eduardo Vítor Rodrigues lançam duras críticas ao Tribunal Arbitral, que não definiu serviços mínimos para a paralisação de 6.ª feira

Caos e entupimento da circulação dentro das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto. Este é o cenário antecipado para sexta-feira, por Fernando Medina e Eduardo Vítor Rodrigues, respetivamente, por causa da greve de 24 horas dos trabalhadores do sector ferroviário e para a qual não foram definidos serviços mínimos. Os sindicatos não têm esperança de que a paralisação ainda possa ser desconvocada nas próximas horas e não há qualquer reunião marcada com o Ministério do Planeamento e das Infraestruturas. CP e Fertagus preveem fortes perturbações na circulação.

“Os autarcas já estavam muito preocupados com esta greve, que reforça a tendência de marcar estas paralisações à sexta-feira e que é um protesto muito integrado. Quando se soube que não há serviços mínimos, ficámos em pânico. Esta greve vai criar uma situação de bloqueio nas cidades, porque muitas famílias serão obrigadas a vir de carro”, antecipa Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Área Metropolitana do Porto (AMP), em declarações ao Dinheiro Vivo.

Na AMP, “há diariamente 400 mil carros que fazem movimentos pendulares, sobretudo no Porto e em Gaia. Amanhã, vão somar-se ainda mais milhares de carros. Isto vai gerar o entupimento de toda a circulação”, acrescenta o autarca.

Posição semelhante foi manifestada horas antes por Fernando Medina. “O direito à greve é constitucionalmente protegido e tem de ser respeitado por todos os cidadãos, mas é inaceitável que os árbitros no Conselho Económico e Social não tenham decretado serviços mínimos para o transporte de passageiros”, disse o presidente da Área Metropolitana de Lisboa (AML), em declarações à agência Lusa. Em causa está o “direito fundamental à mobilidade de mais de dois milhões de pessoas na AML”, lembrando todos aqueles que se deslocam para dentro da cidade de fora.

Leia mais: Greve sem serviços mínimos. Comboios falham todos os dias

“Não há qualquer elemento de proteção dos direitos dessas pessoas, ao nível que, compatibilizando o respeito e o direito à greve constitucionalmente protegido, e que não está em causa de forma alguma, mas que tem de ser compaginado com os direitos mínimos das pessoas em dia de greve”, acrescentou Fernando Medina.

Os árbitros do Conselho Económico e Social (CES) optaram, de forma unânime, por não definir serviços mínimos para a greve dos ferroviários de sexta-feira, segundo o acórdão disponível na página daquele órgão na internet.

Em causa está a greve na CP – Comboios de Portugal, na Infraestruturas de Portugal (IP) e nas oficinas da empresa de manutenção ferroviária EMEF, na sexta-feira, na sequência de um pré-aviso de greve apresentado por 15 sindicatos.

Protesto certo

A paralisação de sexta-feira muito dificilmente será desconvocada. Quer o Ministério do Planeamento e das Infraestruturas quer a federação de sindicatos Fectrans não têm qualquer reunião prevista até ao final do dia, segundo a informação apurada pelo Dinheiro Vivo.

“Não se faz numa hora o que não se fez em três ou quatro meses”, referiu José Manuel Oliveira, dirigente da Fectrans – Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações.

Os trabalhadores da CP, da EMEF e da Infraestruturas de Portugal (IP) vão fazer uma greve de 24 horas na sexta-feira, em defesa da negociação de melhores condições de trabalho. “Decidimos fazer esta greve no mesmo dia nas três empresas porque o Governo continua a não dar resposta a uma reivindicação comum que é a de negociar melhores condições para estes trabalhadores”, disse à agência Lusa José Manuel Oliveira, coordenador da Federação dos Sindicatos dos Transportes e comunicações (FECTRANS), no dia 20 de novembro.

O sindicalista lembrou, na altura, que o Governo nem sequer está a cumprir os acordos que tinha estabelecido com os sindicatos no sentido de ser desenvolvida uma negociação com vista a dar resposta às reivindicações dos trabalhadores, que têm levado à concretização de várias greves ao longo do ano.

O Dinheiro Vivo contactou ainda a associação nacional de municípios para medir o impacto desta paralisação mas esta entidade optou por não se pronunciar sobre greves noutros setores.

 

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