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Há conversas no Messenger para lá da morte graças ao chatbot

Chatbot foi desenvolvido pelo jornalista James Vlahos após uma conversa com a PullString. Fotografia: DR
Chatbot foi desenvolvido pelo jornalista James Vlahos após uma conversa com a PullString. Fotografia: DR

Dezenas de milhares de palavras foram transformadas dentro de um software que responde automaticamente às perguntas do filho

Há várias maneiras de lembrar as pessoas mais queridas que nós perdemos. Seja por um texto, por imagens, vídeos ou até mesmo através da transformação de um perfil do Facebook numa espécie de memorial. Para o jornalista James Vlahos isto não chegava. Com o pai, John James Vlahos, diagnosticado com um cancro do pulmão em estado avançado, decidiu criar um chatbot que responde às mensagens de forma automática e inteligente. O “dadbot” mostra que há conversas no Messenger para lá da morte.

James Vlahos começou a gravar várias horas de conversa com o pai a partir de maio de 2016. Em mais de uma dúzia de sessões, o jornalista ouviu o pai a contar todo o tipo de histórias, desde como conheceu a mulher, a histórias de infância do próprio James Vlahos, passando pela fase em que foi cantor e como tornou-se num advogado de sucesso.

Depois de o pai de James morrer, as 91 170 palavras foram transformadas em código e foram introduzidas num software próprio. O jornalista conta que a ideia nasceu a partir de um trabalho sobre como tornar a Barbie num ser com inteligência artificial, publicado pelo The New York Times, em setembro de 2015, e que estava a ser desenvolvido pela empresa PullString.

“Para fazer isso, a empresa que fabrica a Barbie criou um programa que permite a qualquer pessoa como eu, que não tem qualquer base de código, desenvolver uma personagem interativa. Foi quando soubemos do terrível diagnóstico do meu pai que iniciámos este projeto, de criar um bot“, explicou o jornalista em entrevista dada à rádio pública norte-americana (NPR).

A empresa não queria ficar-se por personagens como a Barbie e quando James Vlahos soube do diagnóstico do pai entrou em contacto com a PullString para desenvolver o “dadbot”, apesar dos conflitos e da perspetiva de uma experiência que poderia ser agonizante. A ideia teve a aprovação de toda a família, inclusive do próprio pai. Este chatbot, muito mais do que as palavras, tem sons do pai a contar e um retrato dos comportamentos, das perspetivas e da própria personalidade.

Apesar de não refletir na perfeição o comportamento do pai e de não o substituir, o jornalista reconhece “pequenos vislumbres” do antigo advogado. “Se fui bem-sucedido na construção do bot, não té totalmente claro. Mas, enquanto exercício, sinto que fiquei a conhecer melhor o meu pai, que celebrei a sua vida e que estive com ele numa altura em que estava a perdê-lo”, refere à edição de agosto da revista Wired. O pai de James Vhalos morreu em fevereiro de 2017.

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