Energia

Holanda diz que “ainda é cedo” para falar sobre produção de hidrogénio em Sines

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O secretário de Estado da Energia, João Galamba, publicou nas redes sociais uma fotografia da "reunião de trabalho com o enviado especial do governo holandês para o hidrogénio, Noé Van Hulst, onde também esteve presente o diretor executivo da Fuel Cell Hydrogen Joint Undertaking (FCHJU), Bart Biebuyck, cujo objetivo era discutir os detalhes da preparação de uma candidatura conjunta sobre hidrogénio verde à escala industrial em Sines enquanto Importante Projeto de Interesse Comum Europeu (IPCEI)".

O enviado especial que reuniu com João Galamba em Bruxelas diz que o governo holandês "acolhe a iniciativa" de produzir hidrogénio em Portugal.

Noé van Hulst, enviado especial holandês do Ministério da Economia e Política Climática para a temática do hidrogénio, que esta semana se reuniu em Bruxelas com o secretário de Estado da Energia João Galamba, confirmou em declarações ao Dinheiro Vivo que a Holanda “está seriamente interessada em explorar várias opções para importar hidrogénio verde”.

No entanto, é muito prudente ao falar sobre a iniciativa H2Scale, que prevê a criação de um consórcio industrial luso-holandês, em Sines, para a produção de hidrogénio a partir de uma central solar com 1GW de capacidade instalada. Um investimento de 600 milhões de euros, anunciado na semana passada por Galamba, que quer mostrar que a cidade de “Sines, tradicionalmente ligada a energias fósseis pode migrar e até valorizar o porto [internacional de águas profundas] como entreposto exportador de hidrogénio verde”, disse o governante à TSF.

“Tivemos uma reunião em Bruxelas para falar sobre os próximos passos a seguir, incluindo de que forma este plano se pode enquadrar nas regras da União Europeia. Mas ainda é muito cedo para dizer mais do que isto, neste momento”, explicou Van Hulst. O enviado especial do governo holandês para o hidrogénio garante que o país está “muito interessado em explorar possíveis rotas comerciais e opções de importação de vários países, que incluem Portugal”.

De acordo com este representante governamental, “um grupo de empresas baseadas em Portugal e na Holanda estão a trabalhar em conjunto para criar uma cadeia de valor e uma rota comercial desde há algum tempo e nós acolhemos esta iniciativa”. No entanto, prefere não avançar os nomes das empresas de ambos os países já envolvidas na iniciativa H2Scale, que partiu de Marc Rechter, um empresário holandês especialista em energias renováveis a viver há 20 anos em Portugal, tal como o Dinheiro Vivo já tinha avançado.

“A Holanda considera o hidrogénio verde como um complemento necessário à eletrificação e eficiência energética, com vista a atingir a neutralidade carbónica em 2050. O hidrogénio é uma das poucas formas possíveis de descarbonizar os setores da indústria e transportes pesados de mercadorias, para os quais outras opções são mais caras e obrigam a um armazenamento sazonal de energia. Se formos bem-sucedidos em aumentar a procura de hidrogénio verde na Holanda, os nossos cálculos mostram que vamos precisar de enormes quantidades de hidrogénio. Quantidades que suplantam a nossa própria capacidade interna de produção de hidrogénio nos próximos 10 anos”, avançou Noé van Hulst.

O governo holandês não consegue ainda estimar com precisão estas “enormes quantidades de hidrogénio” a importar no futuro, mas as mais recentes estimativas da Agência Internacional para a Energia (AIE) mostram que a Europa será uma das regiões do mundo que mais importará hidrogénio verde. “Este cenário será causado pelos principais países com intensa atividade industrial, como a Alemanha, a França e a Holanda”, rematou Van Hulst. O mesmo estudo da AIE mostra igualmente que a Península Ibérica será a região europeia com os preços mais baixos para a produção de hidrogénio: cerca de dois a três dólares por kg de hidrogénio.

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