Investimento

Investimento direto chinês na UE no nível mais baixo desde 2014

(REUTERS/Thomas White)
(REUTERS/Thomas White)

Quebra foi de 40%, mas caso OPA à EDP tivesse já sido concluída o valor ficaria muito perto do registado em 2017.

O investimento direto chinês na União Europeia caiu 40% no ano passado, ficando no nível mais baixo registado desde 2014. Segundo um novo relatório do grupo Rhodium e Instituto Mercator para o Estudo da China (Merics), o valor combinado das transações de investimento direto com origem na China ficou em 2018 em 17,3 mil milhões de euros.

Trata-se do nível mais baixo desde 2014 e de uma quebra para menos de metade do valor investido em 2016, ano de pico de atração dos capitais chineses para a Europa com 37 mil milhões captados.

O relatório é publicado no momento em que a UE aprova novas regras de análise ao investimento direto por capitais externos aos 28, visando sobretudo maior escrutínio sobre as operações da China sobre ativos considerados estratégicos e relevantes para a segurança ou políticas da União. As novas regras vão exigir consultas com Bruxelas e entre Estados-membros sobre novos investimentos.

De acordo com os dados publicados esta semana, as três maiores economias europeias captaram também os maiores volumes de investimento. A lista de países-alvo é liderada pelo Reino Unido, com 4,2 mil milhões de investimento direto chinês. Seguem-se a Alemanha, com 2,1 mil milhões de euros, e a França com 1,6 mil milhões.

Em conjunto, estes três países captaram 45% do investimento direto chinês na UE em 2018. Já os países do sul da Europa, como Portugal, receberam 13% do valor, depois de terem sido os principais recipientes destes capitais orientais nos anos de 2014 e 2015.

Portugal, recorde-se, acumula já mais de nove mil milhões de euros em investimento direto chinês, concentrado sobretudo na energia, sector financeiro e saúde. Os dados do relatório de 2018, não incluem o valor da oferta pública de aquisição da China Three Gorges pelo controlo da EDP, que teria ampliado largamente o investimento chinês a nível europeu no ano passado, trazendo-o para muito perto dos valores de 2017.

Segundo os cálculos da Rhodium e da Merics, caso já estivesse em vigor o novo mecanismo de análise de investimento da UE, 82% dos negócios feitos com capitais chineses no ano passado seriam sujeitos às novas regras ao incluírem-se numa de três categorias: visarem sectores sensíveis, serem promovidos por empresas estatais ou gozarem do apoio das iniciativas de política económica de Pequim.

Apesar da quebra acentuada a nível europeu, o abrandamento no investimento chinês não é exclusivo ao bloco, estando também a verificar-se – com mais força, até – nos Estados Unidos, destaca o relatório. Esta desaceleração reflete não só factores externos de uma maior desconfiança face ao capital chinês, como também a situação doméstica do país, com as empresas sujeitas novamente a maiores controlos de capitais e com ordem para reduzir o endividamento.

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